A Polícia Federal investiga um possível esquema de direcionamento de emendas parlamentares para organizações e empresas ligadas a Karina Gama, produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. A suspeita é que os recursos tenham sido usados para custear despesas da produção e ocultar a origem do dinheiro público.
As informações constam de uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornada pública nesta quinta-feira (10). Segundo o documento, a PF identificou uma possível rede de entidades que funcionaria como uma conta comum para movimentar recursos destinados à obra.
Operação e suspeitas
A investigação relaciona o período de produção do filme, no segundo semestre de 2025, ao recebimento de valores pela Go Up Entertainment, empresa de Karina Gama. Entre os remetentes estaria uma emenda do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que também é produtor executivo de “Dark Horse”.
A PF apontou uma “coincidência temporal” entre as gravações e a movimentação financeira registrada de 10/11/2025 a 30/12/2025. A representação mencionada na decisão cita despesas com hotel de alto padrão, refeições e produtoras.
Nesta quinta-feira (10), a corporação deflagrou a operação Make Up para apurar o suposto desvio de emendas. Endereços ligados a Mario Frias e Karina Gama foram alvos de mandados de busca e apreensão. Ao todo, foram expedidos 49 mandados pelo STF em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
A PF relatou haver “fortes indícios de uma única organização criminosa” e apontou Frias como agente central da estrutura investigada. A decisão de Dino também determinou medidas cautelares contra Frias e outros investigados, incluindo apreensão de passaporte e proibição de comunicação entre pessoas envolvidas no caso.
Outras apurações
O financiamento de “Dark Horse” também é investigado em outro inquérito no STF. Em julho, o ministro André Mendonça abriu uma apuração sobre repasses de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção. O caso tem como alvo Flávio Bolsonaro, senador e candidato a presidente pelo PL.
Em maio, Flávio Bolsonaro teria solicitado a Vorcaro recursos para financiar o filme. Ele negou irregularidades e afirmou que havia pedido um investimento privado ao empresário.







