São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

Plano econômico de Flávio Bolsonaro combina cortes de impostos e ajuste fiscal sem detalhes

Programa prevê R$ 900 bilhões em infraestrutura, nova regra fiscal e redução de tributos, mas não explica como compensará a perda de arrecadação.

Plano econômico de Flávio Bolsonaro combina cortes de impostos e ajuste fiscal sem detalhes

Flávio Bolsonaro (PL) ampliou o apoio entre empresários e agentes do mercado financeiro enquanto se aproxima de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto. O senador, porém, ainda não detalhou como pretende conciliar redução de impostos, investimentos em infraestrutura e equilíbrio das contas públicas.

O programa econômico prevê revisar a reforma tributária e aumentos de impostos do governo Lula, criar uma nova regra fiscal para substituir o arcabouço aprovado em 2023 e investir R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias. Também propõe um amplo “revogaço” regulatório, mudanças na conta de luz e a retomada do Programa Nacional de Desestatização.

Impostos e ajuste fiscal

O plano fala em desonerar exportações e investimentos, além de reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis. Daniella Marques, coordenadora do plano econômico, disse na segunda-feira (21) que Flávio orientou a equipe a revogar “todos os impostos” criados ou elevados durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, entre 2023 e 2026.

As prioridades mencionadas por Marques são a redução do Imposto de Exportação de 12% sobre o petróleo e do IOF. Como a diminuição de tributos reduz as receitas da União, especialistas apontam uma dificuldade para cumprir simultaneamente a promessa de equilíbrio fiscal.

Rafael Cortez, professor do IDP e sócio da Tendências Consultoria, avaliou que a agenda combina duas metas em tensão: diminuir a carga tributária e ajustar as contas públicas. Para ele, a compensação exigiria aumento de receitas ou cortes de despesas, com uma redução ainda mais ampla dos gastos.

Juliana Inhasz, professora de economia do Insper, afirmou que a redução de impostos pode coexistir com o ajuste fiscal, desde que seja compensada por cortes permanentes, eliminação de benefícios tributários, redução da informalidade e da evasão fiscal, além de crescimento e estabilidade econômica.

O “tesouraço”

O programa chama de “grande ‘tesouraço’” sua principal bandeira. A proposta inclui cortar 10 ministérios, estabelecer um teto da dívida e combater privilégios e penduricalhos. O documento não informa como as medidas seriam executadas nem quanto elas poderiam economizar.

A ideia se inspira na “motosserra” associada ao presidente da Argentina, Javier Milei. Inhasz avaliou que os contextos dos dois países são diferentes. Cortez disse que a proposta liberal tem adesão entre agentes do mercado financeiro e parte do eleitorado de direita, mas ressaltou que sua implementação teria custo político e dependeria do Congresso.

Apoio do mercado

O apoio a Flávio entre empresários e investidores ocorre mesmo com a falta de propostas econômicas concretas. Thomas Traumann afirmou, com base em conversas com economistas-chefes de bancos, assets e fundos, que parte desses agentes considera que a saída de Lula poderia melhorar o ambiente de investimentos.

Traumann também relatou que esses executivos não esperam que Flávio promova medidas como o fim da vinculação do salário mínimo à Previdência, a desvinculação dos gastos de saúde e educação do crescimento da receita ou a privatização do Banco do Brasil e da Petrobras.

Para Cortez, o principal fator de atração de Flávio é sua condição de principal adversário de Lula. Inhasz avaliou que parte do empresariado pode vê-lo como um voto útil contra o presidente, enquanto outra parcela se identifica com as promessas de redução de impostos, burocracia e defesa de privatizações.

Os especialistas também fizeram ressalvas. Cortez classificou como excessivamente otimista a expectativa de que a troca de governo, por si só, resolveria o problema fiscal. Inhasz afirmou que o apoio durante a campanha não representa confiança irrestrita e que, em caso de vitória, haverá cobrança pelo cumprimento dos compromissos fiscais.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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