São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

Recompra de dívida dos EUA eleva rendimentos e preocupa investidores

Operação de US$ 6 bilhões ficou abaixo do esperado por parte do mercado e pode pressionar o custo do crédito no país.

Recompra de dívida dos EUA eleva rendimentos e preocupa investidores

Os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro dos Estados Unidos subiram nesta quarta-feira depois que o governo anunciou uma recompra de dívida de US$ 6 bilhões. Investidores esperavam uma operação maior, e a reação aumentou a preocupação com o custo do crédito para famílias e empresas.

O rendimento do título de referência de 10 anos superou 4,85%, o maior nível em quase três anos, antes de recuar ligeiramente. O título de 30 anos estava em 5,29%, acima dos 5,26% registrados na véspera. Em agosto, chegou a 5,33%, maior patamar desde 2007.

Recompra abaixo das expectativas

O Departamento do Tesouro informou que recomprará, nesta quinta-feira, até US$ 6 bilhões em títulos com vencimento entre 10 e 20 anos. O valor é três vezes maior que o da operação anterior de recompra de títulos de prazo longo.

A medida faz parte do plano anunciado no mês passado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, para reforçar a liquidez do mercado de títulos. Alguns participantes esperavam uma operação de US$ 10 bilhões ou mais, em vez dos habituais US$ 2 bilhões.

O analista Patrick O’Hare, da Briefing.com, disse que a frustração com o tamanho da recompra pode ter contribuído para a alta dos rendimentos. Ele também afirmou que o mercado pode interpretar a operação como “um jogo de enganos”.

Críticos do plano dizem que a recompra é uma medida de curto prazo para problemas mais profundos nas contas públicas dos Estados Unidos. Na avaliação deles, o mercado de títulos do Tesouro é grande demais para que uma operação desse tamanho produza impacto relevante.

Efeitos sobre juros e inflação

Os rendimentos dos títulos do Tesouro influenciam as taxas de juros em toda a economia americana. Uma alta prolongada pode encarecer hipotecas, empréstimos empresariais e outras modalidades de crédito. O aumento dos custos de financiamento também pode limitar o crescimento econômico e pressionar as ações.

A alta dos rendimentos ocorreu ainda com o petróleo Brent acima de US$ 100 por barril, pela primeira vez desde o fim de julho, em meio à escalada da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Analistas também apontam os preços elevados do petróleo, o investimento em inteligência artificial e o aumento do endividamento do governo americano provocado pelo déficit orçamentário.

O Tesouro afirmou que o programa busca manter liquidez suficiente no mercado depois que o rendimento do título de 30 anos atingiu o maior nível em quase duas décadas. Em 20 de agosto, Bessent disse que a alta havia sido agravada pelo baixo volume de negociações durante o período de verão e que “não reflete os fundamentais subjacentes”.

Os mercados futuros passaram a indicar maior probabilidade de alta dos juros da Reserva Federal, enquanto os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos avançaram. Investidores aguardam os dados de inflação no atacado e de consumo nos Estados Unidos, previstos para quinta-feira e sexta-feira. Para O’Hare, o relatório de sexta-feira sobre o índice de preços ao consumidor poderá “agravar ou atenuar” as preocupações com uma eventual alta dos juros.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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