São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

Renda por hora em plataformas fica abaixo da média do setor privado

Pesquisa do IBGE mostra que trabalhadores de aplicativos tiveram jornada maior e rendimento mensal praticamente igual ao de outros ocupados.

Renda por hora em plataformas fica abaixo da média do setor privado

O rendimento médio por hora dos trabalhadores de plataformas digitais foi de R$ 16,2 em 2025, abaixo dos R$ 18,4 registrados entre os demais trabalhadores do setor privado. A diferença foi de 12%, embora os rendimentos mensais tenham ficado praticamente no mesmo nível: R$ 3.147 para os plataformizados e R$ 3.148 para os demais.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Trabalho por meio de plataformas digitais 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento analisou atividades realizadas por meio de aplicativos de transporte particular de passageiros, entrega de comida e produtos e serviços gerais ou profissionais.

Jornada e rendimento

Em 2025, os trabalhadores de plataformas cumpriram, em média, 44,7 horas semanais. Entre os demais trabalhadores ocupados do setor privado, a jornada foi de 39,3 horas. A diferença chegou a 5,4 horas por semana.

A jornada dos profissionais de aplicativo diminuiu 1,7 horas desde 2022, quando era de 46,4 horas, mas continuou acima da observada no mercado de trabalho não plataformizado. Para Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, a maior flexibilidade não impediu jornadas mais extensas. “Mesmo que os trabalhadores de aplicativos tivessem maior flexibilidade para trabalhar, para escolher onde e quando trabalhar, ainda assim a jornada de trabalho era maior”.

Os cálculos de rendimento e de horas incluem trabalhadores formais e informais, tanto nas plataformas quanto nas demais ocupações do setor privado.

Motoristas e motociclistas

Entre os motoristas de aplicativo, o rendimento mensal médio foi de R$ 2.873, acima dos R$ 2.805 recebidos pelos demais motoristas. Apesar disso, os profissionais de plataforma trabalharam 5,5 horas a mais por semana. O rendimento por hora ficou em R$ 14,4, contra R$ 16,0 dos motoristas tradicionais. Também foi inferior aos R$ 15,7 por hora obtidos pelos motoristas tradicionais informais.

No grupo dos motociclistas, os trabalhadores de aplicativo receberam R$ 2.221 por mês, enquanto os demais registraram R$ 1.802. Por hora, os plataformizados tiveram rendimento de R$ 11,4, superior em 12,9% aos R$ 10,1 dos trabalhadores fora das plataformas.

A diferença mensal, porém, é influenciada pelo rendimento dos motociclistas tradicionais informais, de R$ 9,0 por hora. Entre os que tinham carteira assinada, o valor chegou a R$ 12,1 por hora, acima do ganho dos motociclistas de aplicativo, além da cobertura previdenciária e dos direitos trabalhistas.

Evolução desde 2022

O rendimento médio mensal dos trabalhadores de plataformas passou de R$ 3.115 em 2022 para R$ 3.151 em 2024, antes de recuar para R$ 3.147 em 2025. No mesmo intervalo, a média dos demais trabalhadores do setor privado subiu 10,6%, de R$ 2.847 para R$ 3.148.

Segundo o IBGE, essa trajetória eliminou a vantagem de rendimento dos plataformizados, que havia alcançado 9,4% no início da série histórica. Fontes afirmou que motoristas e motociclistas representam cerca de três quartos do grupo e não tiveram ganho real no período. Para o técnico, a estagnação pode estar relacionada, entre outros fatores, à maior oferta de trabalho e ao aumento do número de pessoas disputando corridas e entregas nas plataformas digitais.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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