A decisão sobre o regime de recolhimento dos novos tributos deve considerar o perfil de cada negócio, e não apenas as alíquotas previstas. Para o especialista em Finanças do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PE), Cleto Paixão, faturamento, clientes, fornecedores e possibilidade de obter créditos podem alterar o resultado da escolha.
Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) têm até 30 de setembro para optar entre permanecer no Simples tradicional ou adotar o chamado Simples Híbrido, que prevê o recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pelo regime regular. A possibilidade não se aplica aos Microempreendedores Individuais (MEIs).
Perfil dos clientes influencia escolha
Empresas que vendem para outras empresas, em operações B2B, podem avaliar o modelo híbrido por causa da possibilidade de geração de créditos tributários ao longo da cadeia. De acordo com Cleto Paixão, a permanência no Simples pode limitar o acesso a esses créditos para empresas que compram de negócios enquadrados nesse regime.
Já estabelecimentos que atendem diretamente o consumidor final, como restaurantes e lanchonetes, podem encontrar vantagens na continuidade do Simples, dependendo de sua estrutura e das características da operação. Nessa modalidade, os tributos continuam sendo pagos por meio de uma guia única.
“A escolha pode ter reflexos sobre custos, formação de preços e na competitividade da empresa”, afirmou Cleto. Ele acrescentou que a análise depende de como a empresa trabalha, de quem compra seus produtos ou serviços e de como funciona sua cadeia de fornecedores.
Simulador e consultoria
O Sebrae disponibiliza gratuitamente o Simulador da Reforma Tributária, que permite comparar cenários e obter uma referência inicial sobre os efeitos das alternativas. A ferramenta está disponível no endereço sebrae.com.br/pernambuco. A instituição também oferece consultorias para analisar individualmente a situação de cada negócio.
Segundo Cleto, o simulador foi criado para apoiar empresas do Simples Nacional na escolha do modelo de recolhimento. A consultoria, por sua vez, considera dados como faturamento e as características da atividade para comparar a permanência no regime atual com a migração para o formato híbrido.
O Sebrae recomenda ainda que os empresários acompanhem o site e as redes sociais da instituição durante o período de transição. Esses canais reúnem informações sobre mudanças, prazos e alertas relacionados às próximas etapas da reforma tributária.








