O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tenham acesso à íntegra do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Para Lula, o conteúdo pode revelar relações do ex-banqueiro com políticos e autoridades, inclusive integrantes da Corte.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (16), durante participação no podcast Desce a Letra. O presidente afirmou que o aparelho está com os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Também fez acusações sobre supostos encontros envolvendo mulheres que teriam vindo da China e disse que pessoas famosas atuariam como intermediárias. Lula não apresentou provas dessas afirmações no trecho da entrevista.
Ao comentar a crise no Supremo, o presidente afirmou que a situação prejudica a instituição. Ele chamou Vorcaro de “mafioso” e disse que o ex-banqueiro teria envolvido várias pessoas.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Lula também criticou Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, a quem chamou de “nervosinho”. O presidente associou a reação do adversário à atuação de Alexandre de Moraes contra Jair Bolsonaro e pessoas envolvidas na tentativa de golpe.
Lula afirmou ainda que poderiam surgir revelações sobre a relação de Flávio com Vorcaro, incluindo um suposto recebimento de R$ 130 milhões para financiar um filme sobre o pai. Questionado sobre “Dark Horse”, disse que não pretende assistir à produção. No trecho da entrevista, o presidente também não apresentou provas dessas acusações.
Apesar das críticas à situação no STF, Lula voltou a elogiar Alexandre de Moraes. Disse que o ministro realizou um trabalho extraordinário para garantir a democracia ao prender Bolsonaro e os envolvidos na tentativa de golpe. O presidente também reiterou que ninguém está acima da lei, incluindo integrantes do Supremo.
Proposta de reforma
Ao comentar a sessão de terça-feira (15) do STF, que discutiu a abertura de investigação sobre as relações de Moraes com Vorcaro, Lula voltou a defender uma reforma do Poder Judiciário. Ele afirmou estar indignado com a crise e apresentou a mudança como compromisso para um eventual quarto mandato.
O presidente não detalhou as medidas nem informou um cronograma. Disse apenas que a reforma não seria feita de forma precipitada e que deveria alcançar as instâncias do Judiciário.







