O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira, 15, foi marcado por referências à NASA, à máfia italiana, ao Pixuleco, ao comediante Fábio Porchat e à expressão “corar frade de pedra”. A sessão pode tornar o ministro Alexandre de Moraes investigado.
O presidente do STF, Edson Fachin, destacou a importância da decisão logo na abertura. “O País olha para esta Corte. A história também olhará para este momento”, afirmou.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não votaram. Nunes Marques deixou o plenário, enquanto Toffoli permaneceu para acompanhar a sessão. Gilmar Mendes e Flávio Dino fizeram apartes para questionar o julgamento e a relatoria de Fachin, que defendeu a atuação da Corte.
Críticas de Gilmar Mendes
Gilmar Mendes criticou a decisão de André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Para o ministro, a medida equivaleria a afastar o presidente da NASA ou retirar o comandante do Exército, em razão da estrutura hierárquica e armada da Polícia Federal.
Mendes também voltou a usar a expressão “corar frade de pedra”, que já havia empregado no julgamento sobre a suspeição do ex-juiz Sergio Moro na ação penal contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sessão desta terça-feira, afirmou que a condução de investigações relacionadas ao Banco Master e o vazamento seletivo de informações seriam situações de “uma desfaçatez de corar frade de pedra”.
O ministro mencionou ainda a máfia italiana ao criticar o que chamou de apuração parcial e o tratamento dado a informações relacionadas a magistrados e tribunais. “Até a máfia tem ética. É preciso ter decência, não se comportar desta forma”, declarou.
Referências a Porchat e ao Pixuleco
Flávio Dino citou uma publicação de Fábio Porchat sobre a quantidade de ofícios enviados à Presidência do Tribunal durante a crise. Ele relacionou o conteúdo à quantidade de petições recebidas pelo presidente da Corte. Um levantamento mencionado na sessão apontou que 30 mensagens foram encaminhadas a Fachin nas últimas duas semanas.
Ao comentar as repercussões do caso nas eleições deste ano, Gilmar Mendes disse que o STF deveria ser afastado do contexto eleitoral. Ele chamou de “aprendizes de feiticeiro” aqueles que, em sua avaliação, tentaram levar a Corte para a disputa política.
O ministro também criticou o que classificou como “evidente condução político-eleitoral” e citou a escolha do 7 de setembro e os Pixulecos, bonecos infláveis usados em atos da direita no feriado de Independência. A crítica foi dirigida indiretamente a André Mendonça.







