Documentos da Polícia Federal divulgados pelo Supremo Tribunal Federal registram que André Silva Salvador, apontado como responsável por buscar influenciadores para uma campanha em defesa do Banco Master, afirmou também monitorar redes sociais para Flávio Bolsonaro (PL). Os relatórios foram tornados públicos nesta sexta-feira 11 pelo ministro do STF André Mendonça.
Em mensagem enviada em 20 de dezembro de 2025 a Nathan, assessor do vereador Rony Gabriel (PL-RS), Salvador disse: “Estamos fazendo monitoramento das redes pro Flavio Bolsonaro também”. Na mesma conversa, afirmou que realizava um trabalho de gerenciamento de reputação e gestão de crise para um executivo.
Rony Gabriel denunciou, no início deste ano, uma suposta rede criada para atacar o Banco Central a mando de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master. Conforme a investigação, Salvador abordava influenciadores digitais de grande alcance para tentar recrutá-los para a campanha.
Proposta aos influenciadores
Durante as conversas com o assessor, Salvador afirmou que os detalhes da contratação só seriam apresentados após a assinatura de um acordo de confidencialidade. O documento previa multa de 800 mil reais em caso de vazamento.
Em uma reunião virtual realizada em 29 de dezembro de 2025, Salvador informou, segundo Rony, que Vorcaro era o contratante. Ele também ofereceu valores descritos como remuneração milionária para que influenciadores gravassem vídeos e publicassem conteúdos conforme um roteiro.
O plano previa críticas à decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Master e a defesa de uma intervenção do Tribunal de Contas da União no caso.
A Polícia Federal suspeita que a rede de conteúdos encomendados pretendia manipular a percepção pública para desqualificar o Banco Central. O objetivo, segundo a investigação, seria pressionar por decisões políticas e judiciais capazes de reverter a liquidação do Master e dificultar o andamento das apurações.







