São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Inflação no terceiro mandato de Lula é a menor antes de uma eleição desde o Plano Real

IPCA acumulou 17,9% de janeiro de 2023 a agosto de 2026; famílias endividadas chegaram a 82% em agosto.

Inflação no terceiro mandato de Lula é a menor antes de uma eleição desde o Plano Real

O IPCA acumulou alta de 17,9% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. É o menor avanço do índice até agosto do último ano de um mandato presidencial desde o início do Plano Real, cuja moeda começou a circular em julho de 1994.

A comparação considera a inflação acumulada até agosto do quarto ano de cada governo. O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 está marcado para 4 de outubro. O IPCA de setembro será divulgado em 9 de outubro, depois da votação. O IBGE publicou os dados de agosto nesta sexta-feira (11).

Fatores que influenciaram o índice

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, afirmou que o período não teve choques tão intensos de câmbio e clima quanto os observados em outros mandatos. Segundo ele, a política de juros altos do Banco Central também ajudou a conter o IPCA. Durante a gestão de Roberto Campos Neto, Lula criticou a atuação da instituição.

Vale avaliou que uma inflação próxima de 18% em menos de quatro anos ainda pode ser considerada alta. “A inflação poderia ser mais baixa do que isso”, disse. Para o economista, o impulso fiscal do governo contribuiu para impedir uma alta menor.

O segundo mandato de Lula, entre 2007 e 2010, havia registrado o menor acumulado até agosto antes de uma eleição: 19%, de janeiro de 2007 a agosto de 2010. Na gestão de Jair Bolsonaro, o IPCA subiu 25,3% entre janeiro de 2019 e agosto de 2022.

Fábio Romão, economista da 4intelligence, atribuiu parte da desaceleração a boas safras. Ele também citou o impacto menor do câmbio e o rearranjo das cadeias produtivas após a pandemia. Romão destacou que inflação mede o ritmo de alta, e não o nível dos preços, e afirmou que os alimentos ainda carregam efeitos de uma pressão forte durante a pandemia.

Endividamento das famílias

A CNC informou que 82% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer em agosto. O percentual permaneceu no nível recorde e se tornou um problema para a gestão petista antes das eleições.

Para Vale, o endividamento pode ajudar a explicar o descontentamento de parte da população. Ele afirmou, porém, que inflação e desemprego estão em seus melhores momentos e que uma eventual derrota de Lula não seria explicada pela economia, mas por questões políticas.

Em agosto, os principais recuos entre os alimentos foram os da batata-inglesa (-19,89%), da cenoura (-11,22%), da cebola (-11,07%), do tomate (-10,94%), do ovo de galinha (-4,15%) e do café moído (-1,86%).

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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