São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Picanha sobe 7,8% no terceiro governo Lula, abaixo da alta no mandato Bolsonaro

Dados do IPCA mostram que a picanha ficou mais cara desde 2023, mas em ritmo menor que entre 2020 e 2022.

Picanha sobe 7,8% no terceiro governo Lula, abaixo da alta no mandato Bolsonaro

O preço da picanha subiu 7,8% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, nos 44 primeiros meses do terceiro governo Lula. O avanço foi menor que o registrado no governo Jair Bolsonaro: a alta acumulada chegou a 38% de janeiro de 2020 a dezembro de 2022, segundo dados do IPCA compilados pelo economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence.

A picanha passou a integrar o cálculo do IPCA em janeiro de 2020. Por isso, não há uma série específica para o corte em 2019, primeiro ano do mandato de Bolsonaro. Naquele ano, porém, o preço da carne subiu 32,4% no geral, conforme os dados citados no levantamento.

A atualização mais recente da cesta de bens e serviços pesquisada pelo índice foi feita pelo IBGE em 2020. Antes da eleição de 2022, a picanha acumulava alta de 33,4% entre janeiro de 2020 e agosto de 2022.

Oferta e pressão sobre os preços

Para Romão, o comportamento da picanha reflete principalmente fatores de oferta, e não decisões dos governos. A maior oferta teria ajudado a conter a inflação dos alimentos, incluindo a carne, durante o terceiro mandato de Lula. “O que prepondera são questões de oferta”, afirmou o economista.

O Brasil abateu 42,9 milhões de cabeças de bovinos sob inspeção sanitária em 2025, recorde da série histórica iniciada em 1997, informou o IBGE em março. O resultado representou alta de 8,2% sobre 2024, que havia sido o recorde anterior. Segundo o instituto, a tendência de crescimento era observada desde 2022.

No governo Bolsonaro, os preços dos alimentos foram pressionados pelos efeitos da pandemia, pela guerra da Rússia contra a Ucrânia, pela alta do dólar e por problemas climáticos. Esses fatores afetaram o custo de commodities usadas na alimentação animal.

Apesar da alta menor no governo Lula, Romão afirmou que parte da população sente mal-estar porque os aumentos recentes ocorreram sobre um nível de preços já elevado. Em agosto de 2026, o quilo dos cortes de carne de primeira custava, em média, R$ 50,49 na cidade de São Paulo, de acordo com pesquisa da cesta básica do Procon-SP em parceria com o Dieese. O valor era de R$ 42,54 em agosto de 2022 e de R$ 23,61 em agosto de 2019.

Alimentação e consumo de carne

Entre abril de 2020 e agosto de 2026, a alimentação no domicílio acumulou alta de 60,8%, acima do avanço de 42,7% do IPCA geral no mesmo intervalo. Nos 44 meses entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, a inflação da alimentação em casa foi de 12,9%, contra 54,2% nos 44 primeiros meses do governo Bolsonaro, de janeiro de 2019 a agosto de 2022.

Romão apontou o El Niño como principal risco para a inflação dos alimentos a partir do final de 2026. O fenômeno altera a distribuição das chuvas e pode afetar a produção agropecuária, com possibilidade de repasses ao consumidor em caso de perdas no campo.

Para Fernando Iglesias, coordenador de inteligência de mercado da Safras & Mercado, a oferta maior explica parte da inflação menor da picanha. O endividamento das famílias também dificultaria reajustes mais elevados, porque os consumidores podem trocar a carne bovina por frango, carne suína, embutidos e ovos.

Estimativas da consultoria indicam que o consumo de carne bovina ficou abaixo de 25 kg por habitante em 2021, quando alcançou 24,94 kg. O indicador chegou a 30,79 kg em 2024 e ficou em 30,63 kg em 2025. Para o final de 2026, a projeção é de 28,08 kg.

Iglesias afirmou que o Brasil caminha para uma inversão no ciclo da pecuária, com menor participação das fêmeas nos abates. Segundo ele, esse movimento pode reduzir a produção nos meses seguintes e manter os preços elevados. “Os cortes do traseiro bovino, de maior valor agregado, como picanha, alcatra, maminha e filé mignon, seguem muito inflacionados.”

Picanha no debate político

O preço da picanha voltou ao debate eleitoral. Em 2022, Lula havia associado o consumo do corte e da cerveja à melhora das condições de vida. Agora, o senador Flávio Bolsonaro tem usado o nível dos preços da comida para criticar o presidente. Em uma agenda em São Paulo, ele ergueu uma peça de picanha e disse que não prometeria o consumo da carne para depois não cumprir.

A campanha de Lula destaca indicadores econômicos desde 2023, como emprego e renda, além de medidas como o reajuste do salário mínimo acima da inflação e a defesa do fim da escala 6×1.

A cerveja, também mencionada por Lula em 2022, acumulou inflação de 19,5% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. A variação foi próxima dos 19,2% registrados entre janeiro de 2019 e agosto de 2022.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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