Economistas consultados pelo Banco Central estimam que o El Niño elevará a inflação brasileira em 0,5 ponto percentual em 2027. A mediana foi calculada a partir das respostas de 89 profissionais em uma pesquisa enviada antes da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), cujo resultado foi divulgado nesta quarta-feira (23).
Entre os participantes, 83 disseram já ter incluído um impacto de 0,3 ponto percentual nas projeções para os preços ao consumidor no próximo ano. O fenômeno climático é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela redistribuição das chuvas. A previsão é de que ele se intensifique no segundo semestre deste ano.
Projeções para o IPCA
Para 2026, a expectativa mediana de 87 analistas é de um efeito de 0,3 ponto percentual sobre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Nesse grupo, 80 participantes já haviam incorporado 0,2 ponto percentual às estimativas.
A pesquisa também aponta que o IPCA deve terminar este ano em 5% e o próximo em 4,3%, conforme a mediana das projeções de 110 agentes econômicos. Os dois resultados ficariam acima do objetivo central do Banco Central, de 3%, que tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
No regime de meta contínua, a autoridade monetária considera o objetivo descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora do intervalo entre 1,5% e 4,5%.
As respostas foram encaminhadas ao Banco Central em 4 de setembro e serviram de subsídio para a decisão mais recente do Copom. Na ocasião, a taxa básica de juros, a Selic, foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.
Efeitos sobre alimentos e agricultura
O Ministério da Fazenda revisou de 3,6% para 3,8% a projeção para a inflação de 2027. A Secretaria de Política Econômica (SPE) atribuiu a revisão aos efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra daquele ano.
A SPE afirmou que o fenômeno pode pressionar os preços de alimentos in natura ainda este ano, mas que os efeitos mais significativos devem ocorrer na safra de 2027. A secretaria também citou impactos diretos sobre a produção de grãos e efeitos indiretos sobre os preços das carnes.
O Banco Central incluiu os efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia entre os fatores de risco para a inflação. No comunicado e na ata do Copom, a instituição mencionou a possibilidade de as expectativas para o IPCA permanecerem distantes da meta por um período prolongado.








