São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Mercado de trabalho combina recordes e desafios antes da eleição de 2026

Desemprego caiu, ocupação e empregos com carteira atingiram máximas, mas informalidade e novas formas de trabalho seguem em debate.

Mercado de trabalho combina recordes e desafios antes da eleição de 2026

O Brasil chega às vésperas das eleições de 2026 com desemprego em mínima histórica e recordes de ocupação, empregos com carteira assinada e rendimento. Ao mesmo tempo, permanecem desafios como a informalidade, o trabalho por aplicativos, a pejotização e os efeitos da inteligência artificial sobre as vagas de entrada.

Dados da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a taxa de desemprego foi de 5,3% no trimestre encerrado em julho. É o menor índice para esse período desde o início da série histórica, em 2012. No mesmo trimestre de 2022, a taxa era de 9,1%.

Em 2026, o nível de ocupação chegou a 58,9% no trimestre até julho, recorde para o período. O número de empregados com carteira no setor privado alcançou 39,4 milhões, também o maior da série.

Informalidade e trabalho por aplicativos

A taxa de informalidade ficou em 37,5% no trimestre até julho. O indicador mede a parcela da mão de obra que trabalha sem carteira assinada ou sem CNPJ e já superou 40% na série histórica.

Em 2025, cerca de 2 milhões de pessoas tinham o trabalho principal ou secundário realizado por meio de aplicativos, conforme módulo anual da Pnad Contínua divulgado pelo IBGE. Entre quem usava essas plataformas na atividade principal, a flexibilidade foi o motivo mais citado, com 26,8%. A falta de outro emprego apareceu em seguida, com 24,6%, e o rendimento maior do que em outras ocupações disponíveis, com 20,8%.

Para Janaína Feijó, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, a melhora nos indicadores convive com problemas agravados pela desaceleração econômica e pelos juros altos. Ela afirma que a regulamentação do trabalho em plataformas será um dos desafios do próximo presidente, porque parte desses trabalhadores não tem cobertura trabalhista.

O motoboy Felipe Zuppo, 38, trocou o emprego com carteira pelo trabalho em aplicativos e participou, em 2023, de um grupo do governo Lula que não chegou a um consenso sobre a regulamentação da profissão. Ele defende uma lei que assegure direitos sem enquadrar necessariamente os trabalhadores como celetistas.

Formação, Previdência e propostas

Janaína também critica o modelo do Microempreendedor Individual (MEI), criado para formalizar pequenos negócios e incluir trabalhadores no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para a economista, o mecanismo pode gerar pressão fiscal ao incluir pessoas que não são contratadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) com contribuição de 5% do salário mínimo.

Outro ponto citado é a distância entre a formação profissional, as necessidades das empresas e as desigualdades de acesso. A comunicadora social Nicole Guedes de Andrade Suvires, 22, trabalha em uma rede de pet shop no ABC paulista após buscar uma vaga em sua área de formação. Ela foi profissional PJ durante dois anos e hoje trabalha em escala 6×1, com benefícios.

Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, avalia que o mercado se tornou mais resistente a choques. Entre as possíveis explicações, ele cita a flexibilização da reforma trabalhista de 2017 e o surgimento de ocupações ligadas a aplicativos. O economista também aponta o desafio de absorver trabalhadores com maior qualificação.

Nos planos apresentados para a eleição, Lula (PT) propõe ampliar a proteção trabalhista, combater a pejotização, regulamentar o trabalho em plataformas, manter a política de valorização do salário mínimo e acabar com a escala 6×1. Flávio Bolsonaro (PL) defende reduzir gradualmente o custo do trabalho e criar contratos mais baratos para jovens e desempregados a partir de 50 anos.

Romeu Zema (Novo) propõe um regime alternativo à CLT, com menos encargos e negociação de jornada, remuneração e férias. Ronaldo Caiado (PSD) prioriza ensino técnico e requalificação voltada a IA, automação, dados e cibersegurança. Augusto Cury (Avante) defende o empreendedorismo como resposta ao desemprego causado pela IA, enquanto Renan Santos (Missão) não apresenta propostas específicas para o mercado de trabalho.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5