São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Justiça

Mensagens e contratos levantam suspeitas sobre Kassio Nunes Marques no caso Master

Documentos da Polícia Federal e do Coaf apontam pagamentos ao filho do ministro e relações com pessoas ligadas ao Banco Master.

Mensagens e contratos levantam suspeitas sobre Kassio Nunes Marques no caso Master

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, um contrato de advocacia e um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) levantaram suspeitas sobre as relações do ministro Kassio Nunes Marques com pessoas ligadas ao Banco Master. O material inclui referências a pagamentos ao filho do magistrado, Kevin Marques, e a benefícios para o ministro e pessoas próximas a ele.

Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento sobre Alexandre de Moraes no caso Master, em 15 de setembro, sob a justificativa de presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Juristas consideraram a justificativa incomum, pois impedimentos costumam estar relacionados a parentesco ou à atuação anterior do juiz como advogado de uma das partes.

Pagamentos ao filho do ministro

Mensagens entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil a Kevin Marques por meio da consultoria Consult Inteligência Tributária. A primeira referência ao advogado aparece em 1º de outubro de 2024.

Na ocasião, o Supremo havia tomado uma decisão favorável à destilaria Alcídia, de Teodoro Sampaio (SP), em uma disputa sobre prejuízos no setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990. Kassio Nunes Marques desempatou o julgamento a favor da empresa, que também recebeu votos favoráveis de Edson Fachin e Dias Toffoli. André Mendonça e Gilmar Mendes votaram contra.

O resultado beneficiou o Banco Master porque a instituição tinha precatórios do setor sucroalcooleiro estimados em R$ 10 bilhões. Em mensagens posteriores, Rennó voltou a questionar se o pagamento mensal a Kevin seria mantido e confirmou a continuidade do repasse.

Um relatório do Coaf, produzido em março de 2026, registrou que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Master e R$ 11,3 milhões da JBS. No mesmo período, a empresa fez 11 pagamentos a Kevin Marques, que somaram R$ 281,6 mil.

Kevin é advogado especializado em Direito Tributário e atua desde fevereiro de 2024. Em junho de 2026, tinha R$ 27,7 milhões aplicados em fundos de investimento. Ele não possui participação societária na Consult, cofundada em 2022 pelo contador Francisco Craveiro, amigo de Nunes Marques.

Kevin negou ter relações com Vorcaro e afirmou que sua atuação com a Consult não tinha relação com o Supremo Tribunal Federal. Disse ainda que recebeu R$ 281,6 mil por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa.

O ministro declarou: “Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco”.

Mensagens sobre viagens e encontros

Mensagens atribuídas a contatos de Vorcaro mencionam um encontro de Nunes Marques com uma mulher em São Paulo. Em 7 de março de 2025, uma interlocutora afirmou que havia ficado com o ministro e cobrou R$ 10 mil. A Polícia Federal interpretou esse valor como possível pagamento pelo encontro.

As conversas também indicam que Vorcaro teria reservado uma casa no Joá, no Rio de Janeiro, para Nunes Marques passar o Carnaval de 2025. O imóvel era avaliado em R$ 250 milhões. A viagem envolveria o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e a advogada Camilla Ramos, mulher do magistrado.

Em dezembro de 2024, um agente de turismo enviou a Vorcaro uma captura de tela com o nome e o número de Nunes Marques. A mensagem pedia ajuda para organizar uma viagem de 10 dias, entre 8 e 18 de janeiro, para 5 pessoas, com opções como Viena ou Peru.

Nunes Marques afirmou que apenas consultou preços e nunca utilizou os serviços da agência. O agente confirmou essa versão.

Contrato de advocacia

A Polícia Federal teve acesso a um contrato entre o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia e o Banco Master. O acordo previa R$ 427 milhões em caso de êxito em 12 processos do setor sucroalcooleiro contra a União. O escritório receberia 5% dos valores obtidos pelo banco em precatórios, que poderiam chegar a R$ 8,5 bilhões.

Camilla Ramos é uma das sócias do escritório. Em mensagem enviada a Vorcaro em 3 de junho de 2025, ela elogiou um voto de Nunes Marques favorável às usinas.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal identificavam Camilla e Newton Ramos como “A turma do KN”. Segundo a polícia, os dois faziam solicitações em nome de Nunes Marques, incluindo diárias em hotéis de luxo em São Paulo, entradas para o Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo e camarotes para desfiles no Rio de Janeiro.

Nunes Marques negou ter trocado mensagens com Vorcaro, pedido qualquer benefício ou autorizado terceiros a falar em seu nome. Também afirmou que nunca votou a favor do banqueiro ou do Banco Master.

Newton Ramos disse que mantinha relações com Vorcaro antes dos fatos investigados e negou ter julgado qualquer causa de interesse do Banco Master. Sobre o uso de um avião administrado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro, afirmou que se tratou de uma situação privada, sem relação com suas funções públicas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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