MAGDEBURGO — A Alternativa para a Alemanha (AfD) intensificou a campanha antes das eleições regionais na Saxônia-Anhalt, onde aparece com 41 % nas pesquisas. A CDU registra 23 %, e A Esquerda, 11,5 %. Cerca de 26% dos eleitores ainda não decidiram em quem votar, segundo uma pesquisa recente do Politbarometer, da ZDF.
No Alten Markt, em Magdeburgo, cerca de 20 integrantes e simpatizantes do partido participaram de atividades de campanha, com distribuição de panfletos, canetas e jornais. Apoiadores dizem esperar uma mudança política no estado e na Alemanha. Ramona Vogel, integrante da AfD desde abril, afirmou apoiar o partido por convicção e defendeu medidas voltadas a aposentados e jovens.
Um membro da legenda desde 2014 defendeu a expulsão de pessoas que, segundo ele, cometem crimes como estupro ou atentados. O homem, que não revelou o nome, também disse que deixaria o estado caso o resultado eleitoral favorecesse outros partidos.
Propostas e oposição
O deputado regional Christian Mertens afirmou que a AfD pretende dar à polícia maior respaldo político e alterar o processo de escolha dos juízes. O programa eleitoral prevê ainda uma ofensiva de expulsão e remigração.
Na educação, a legenda propõe criar “turmas especiais” para crianças refugiadas e encerrar a inclusão de estudantes com deficiência em escolas regulares. Cerca de 5000 crianças com deficiência frequentam atualmente esse tipo de escola na Saxônia-Anhalt. Conny Melzer, professora de educação inclusiva da Universidade de Leipzig, criticou a proposta e citou a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência como base para a educação inclusiva.
Mertens também rejeita alianças com outros partidos e defende que a AfD permaneça na oposição caso não possa governar sozinha. Entre 2021 e sua dissolução, ele presidiu a Junge Alternative Saxônia-Anhalt, classificada como comprovadamente extremista de direita pelo serviço estadual de proteção da Constituição, subordinado ao Ministério do Interior dirigido pela CDU.
Bernhard Weitzel, professor aposentado de Colônia, percorre cidades da Saxônia-Anhalt há mais de 20 dias para abordar eleitores indecisos e simpatizantes da AfD. Ele exibe uma placa com declarações de Alice Weidel, copresidente do partido, acompanhadas de sua própria análise, sob o título “Desastre para a Alemanha”.
Preparação policial
A polícia da Saxônia-Anhalt se prepara para possíveis distúrbios durante as eleições. Documentos policiais indicam que uma vitória da AfD poderia ser seguida por protestos de extrema-esquerda, inclusive uma eventual invasão do parlamento regional em Magdeburgo.
Se o resultado ficar abaixo do esperado, os documentos apontam para uma possível concentração de grupos de extrema-direita, com eventual ocupação de prédios públicos ou sedes partidárias. As forças de segurança concentram-se em Magdeburgo, Halle, Dessau-Roßlau e Halberstadt, com equipes especiais de intervenção, especialistas em explosivos e unidades de defesa contra drones.





