A Alemanha pretende responder a ataques híbridos — como ciberataques, sabotagem e desinformação — por meio da identificação pública dos responsáveis e da aplicação do princípio de “culpar e envergonhar”, afirmou o major-general Volker Pötzsch.
Desde março de 2026, Pötzsch é chefe do Estado-Maior do Comando Ciberespaço e Espaço de Informação. Oficial de carreira e formado em informática, ele iniciou a trajetória militar na Força Aérea e depois atuou no Ministério da Defesa e no Comando Ciberespaço e Espaço de Informação.
Para o militar, a Alemanha vive uma situação que não corresponde nem à guerra aberta nem à paz. A atribuição pública, segundo ele, continua sendo o mecanismo de resposta adotado pelo país. Pötzsch disse que o mais importante não é saber se o anúncio será feito pelo chanceler ou por um ministro, mas garantir que o governo e a sociedade apontem publicamente o responsável com base em provas.
Cooperação e defesa cibernética
Pötzsch afirmou que a Alemanha busca manter sua capacidade de resposta com o conhecimento de militares e funcionários civis. O país criou cursos universitários e mestrados em suas próprias universidades militares, em Munique e Hamburgo, além de manter cooperação com instituições científicas, a indústria, a NATO e a União Europeia.
Ele também citou a criação, neste ano, do Centro de Ciberdefesa da UE como espaço para a troca de informações sobre ameaças híbridas. Na avaliação do major-general, não há problema em haver estruturas semelhantes na UE e na NATO, desde que ambas funcionem. A Alemanha, segundo ele, tem uma única força armada, a Bundeswehr, que atua nas duas estruturas.
Sistemas autônomos
Sobre a guerra na Ucrânia, Pötzsch afirmou que as forças armadas alemãs extraem lições do conflito, mas não podem simplesmente copiar o modelo ucraniano. A Alemanha também investe em sistemas autônomos, que devem ser empregados em outros pontos e de outra maneira.
O uso desses sistemas, disse o militar, deverá aumentar nas situações em que as pessoas estejam mais expostas no campo de batalha, sempre sob controle humano rigoroso. Ele afirmou ainda que espera que a Bundeswehr nunca precise travar uma guerra como a da Ucrânia.
Pötzsch avaliou que a Alemanha, os países ocidentais e a NATO possuem capacidades diferentes, incluindo forças aéreas e navais. Por isso, um eventual conflito teria características próprias, embora sua evolução não possa ser prevista.
Meta de defesa e empresas
Sobre o objetivo de reforçar as capacidades de defesa até 2030, o major-general disse preferir não falar em fragilidades. Segundo ele, a Alemanha passou a investir de forma significativa em recursos financeiros, humanos e materiais para ampliar sua capacidade de defesa e sua contribuição à NATO.
Pötzsch afirmou que essa disputa é permanente e que o resultado depende de iniciativas multinacionais. Para ele, a UE e a NATO são os principais pontos de referência desse esforço.
Na relação com empresas menores, o militar disse que está ficando mais fácil para startups entrar no mercado alemão, embora ainda existam obstáculos estruturais. Uma empresa contratada pelas forças armadas precisa conseguir fornecer serviços e produtos de forma segura e confiável, inclusive para quase meio milhão de militares.
Por isso, Pötzsch defendeu parcerias estratégicas entre startups e grandes empresas de armamentos já estabelecidas. A proposta, segundo ele, é preservar a agilidade e a cultura própria das empresas menores, enquanto um parceiro com experiência ajuda a ampliar a produção e a garantir serviços seguros às forças armadas.







