A Alemanha iniciou a construção de um novo navio de serviço da frota, destinado a coletar informações sobre movimentações no mar e em terra. A cerimônia ocorreu no estaleiro naval Peene, em Wolgast, após um incidente no mar Báltico envolvendo um navio de guerra russo e um helicóptero dinamarquês.
Na ocasião, dois sinalizadores foram disparados na direção da aeronave que fotografava a embarcação russa. Um deles passou a poucos metros do helicóptero. A Dinamarca classificou o episódio como totalmente inaceitável, enquanto a Rússia acusou os dinamarqueses de realizar manobras perigosas.
O que os navios fazem
O vice-almirante Thomas Daum, inspetor do Espaço Cibernético e da Informação da Bundeswehr, afirmou que os navios de reconhecimento funcionam como os olhos e os ouvidos das forças armadas. Eles são usados para escutar, observar e identificar movimentos, posições e equipamentos de um possível adversário.
Segundo Daum, as embarcações conseguem monitorar o cenário marítimo e também recolher informações em direção à costa e ao interior. A capacidade de recepção permite reunir grande volume de dados sobre atividades militares.
A Bundeswehr possui atualmente três navios de serviço da frota da classe 423. As embarcações estão em operação há muitos anos e começam a ser retiradas do serviço ativo. O desgaste está relacionado principalmente aos cascos, que precisam sustentar mastros altos para as antenas. Com o deslocamento do centro de gravidade para cima, o desempenho em mar agitado deixou de ser o ideal.
A central de reconhecimento instalada nos navios, chamada de Messdeck, foi atualizada durante a vida útil das embarcações. Daum disse que esse sistema será adaptado ao novo modelo, por manter capacidades consideradas compatíveis com o estado atual da técnica.
Satélites e operação no Báltico
O vice-almirante afirmou que os satélites são importantes para a análise de imagens e também poderão ser usados no reconhecimento baseado na captação de sinais. A diferença, segundo ele, é que um satélite registra a área durante sua passagem, enquanto um navio pode permanecer estabilizado no local e operar com grande capacidade de recepção.
Para reproduzir por satélite o alcance de uma dessas embarcações, seria necessário um número muito elevado de equipamentos, disse Daum. Por isso, mesmo com investimentos no reconhecimento espacial, os navios ainda oferecem volume e profundidade de informação considerados úteis pela Bundeswehr.
A nova classe será a 424, maior e preparada para operar globalmente, em todas as zonas climáticas. No mar Báltico, a expectativa é que os navios continuem realizando a coleta de informações já feita pela classe anterior. Atualmente, a Bundeswehr costuma manter um ou dois navios em operação na região central do Báltico, de onde acompanham o que ocorre no mar e em direção à costa.
Daum afirmou que as atividades russas na área são acompanhadas de perto. As informações recebidas são analisadas e tratadas, mas o vice-almirante não apresentou detalhes porque os resultados são classificados como secretos.







