Mais de 8 500 contas do X foram classificadas como suspeitas antes das eleições gerais da Suécia. Os perfis seguiam contas políticas suecas, mas eram registrados pela plataforma como sediados na Nigéria, no Gana, no Benim e em partes da Ásia.
A análise foi feita pela Trollrensics e pela Alliance4Europe, em colaboração com a SVT. Os investigadores encontraram identidades semelhantes, fotografias reutilizadas e pouca ou nenhuma publicação original. Em alguns casos, as contas publicavam mensagens idênticas ao mesmo tempo.
Um dos perfis usava a fotografia de Ingrid Karlsson e aparentava pertencer a uma mulher sueca. Os investigadores afirmaram, porém, que a imagem havia sido roubada e que a conta estava registrada no Benim.
Como a rede foi analisada
Robert van der Noordaa, cofundador da Trollrensics, disse que a empresa utiliza 26 indicadores para verificar se perfis fazem parte de uma rede coordenada. Entre os sinais estão aumentos incomuns na criação de contas em um mesmo dia, imagens roubadas e publicações simultâneas.
As contas estudadas seguiam um grande número de usuários suecos envolvidos no debate político, embora produzissem pouco conteúdo próprio. Segundo van der Noordaa, alguns perfis com milhares de seguidores pareciam ter até 30% de sua base formada por contas suspeitas registradas na Nigéria, no Benim e em partes da Ásia.
A rede acompanhava pessoas de diferentes posições políticas, com concentração maior em vozes da direita e em perfis ligados ao Partido Moderado. Para os investigadores, o acompanhamento em massa pode aumentar artificialmente a popularidade de uma conta e ampliar publicações por meio de curtidas e republicações coordenadas.
Possível uso comercial
A Trollrensics informou que identificou características semelhantes em eleições nos Países Baixos e na Hungria. Algumas contas teriam mudado de identidade ao passar de um debate político nacional para outro. Van der Noordaa afirmou que a rede pode fazer parte de uma operação comercial contratada por diferentes clientes.
Darren Linvill, codiretor do Media Forensics Hub da Universidade de Clemson, analisou de forma independente uma amostra dos perfis. Para ele, o comportamento é compatível com serviços pagos de amplificação usados por atores políticos e ligados ao Estado.
Linvill disse que esses serviços podem incluir seguidores pagos, comentários, curtidas, republicações e bots automatizados. A prática daria às contas uma aparência de maior legitimidade e faria parecer que elas representam uma comunidade mais ampla do que a existente.
Eleição teve resultado preliminar apertado
A atividade ocorreu na véspera da votação. Com 95% dos distritos apurados, a previsão era que a oposição, liderada pelos Social-Democratas da ex-primeira-ministra Magdalena Andersson, conquistasse 176 dos 349 assentos do Parlamento. A aliança de direita liderada pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson, do Partido Moderado, teria 173.
A Autoridade Eleitoral sueca informou que os resultados ainda eram provisórios e que a apuração final era esperada uma semana depois do dia da eleição.
Antes da votação, as autoridades disseram que a Suécia não era considerada um alvo prioritário da influência russa, mas alertaram para um cenário de segurança delicado. A Alliance4Europe também relatou uma operação pró-Rússia chamada Matryoshka, que divulgou vídeos fabricados contra a coalizão governista e refugiados ucranianos.
Durante o processo eleitoral, circularam alegações não comprovadas de fraude após um erro técnico afetar o registro de cerca de 500 eleitores antecipados. A Agência de Defesa Psicológica da Suécia afirmou que as autoridades haviam se preparado para proteger o público contra desinformação, propaganda e tentativas de manipulação do debate público.







