São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Bases britânicas em Chipre são herança colonial, não ocupação, dizem especialistas

Akrotiri e Dhekelia foram previstas no acordo de independência de 1960, mas sua legitimidade e uso militar continuam em debate.

Bases britânicas em Chipre são herança colonial, não ocupação, dizem especialistas

As bases britânicas de Akrotiri e Dhekelia, em Chipre, não são consideradas uma ocupação militar por especialistas ou pelo direito internacional, mas permanecem como vestígios do período colonial britânico. As duas áreas foram estabelecidas pelo acordo que reconheceu a independência cipriota em 1960.

O debate ganhou força depois que a eurodeputada francesa Manon Aubry afirmou, em uma publicação na plataforma X, que parte de Chipre continuava ocupada pelo Exército britânico. Ela também disse que as bases eram usadas para fornecer informações sobre a Faixa de Gaza a Israel e que estariam, por serem bases da NATO, sob o comando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A publicação recebeu uma nota comunitária que diferenciou a situação de Akrotiri e Dhekelia da ocupação militar turca no norte da ilha. A Turquia invadiu Chipre em 1974 e passou a controlar cerca de 36% do território. O autoproclamado Chipre do Norte é reconhecido apenas pela Turquia.

O acordo de independência

Peter Clegg, professor de política e relações internacionais da Universidade do Oeste de Inglaterra, afirmou que a definição de ocupação pressupõe a presença de uma força militar sem o consentimento do território. Para ele, esse não é o caso de Chipre, porque o governo cipriota concordou com a existência das bases.

O acordo determina que o Reino Unido não pode desenvolver as Zonas de Base Soberana para fins não militares nem criar ou administrar colônias. Também prevê o acesso dos cipriotas às áreas próximas, a proteção de seus direitos e, tanto quanto possível, a aplicação de leis iguais às da República de Chipre. Parte da vida civil nas bases, incluindo educação e proteção social, é administrada pelo governo cipriota.

Costas M Constantinou, professor de relações internacionais na Universidade de Chipre, considera mais adequado falar em um desenvolvimento do colonialismo. Segundo ele, os líderes cipriotas aceitaram formalmente as bases, mas sob pressão, porque a descolonização estava condicionada ao acordo.

Neophytos Loizides, professor da Universidade de Warwick, disse que a população cipriota não foi consultada sobre a manutenção das áreas sob controle britânico. Para ele, remanescente colonial é uma descrição mais precisa do que ocupação. A relação, afirmou, é marcada por ambivalência: alguns moradores se beneficiam economicamente das bases, enquanto outros veem nelas uma proteção diante do Exército turco.

Uso das bases e futuro

Clegg disse que as alegações sobre apoio militar britânico a Israel são incorretas. Segundo ele, houve voos de vigilância nas proximidades de Gaza, mas o governo britânico informou que as aeronaves não estavam armadas e ajudaram a localizar reféns após os ataques de 7 de outubro. Também partiram das bases voos de ajuda humanitária para Gaza.

O governo britânico afirma que controlou rigorosamente as informações coletadas e que apenas dados diretamente relacionados ao paradeiro de reféns foram repassados a Israel. Órgãos de investigação questionaram se o compartilhamento também alcançou operações militares israelitas mais amplas e criticaram a falta de transparência sobre o conteúdo enviado.

Em março, um drone atingiu Akrotiri durante a guerra envolvendo Irão, Israel e Estados Unidos. Outros drones lançados nos dias seguintes foram interceptados. O episódio reabriu a discussão sobre o futuro das bases, já que Chipre não é membro da NATO.

O presidente Nikos Christodoulides pediu conversas com Londres sobre o futuro das instalações. O governo cipriota tem defendido comissões conjuntas e diálogo diplomático, sem contestar diretamente a soberania britânica. Para Loizides, as bases poderiam continuar sob um quadro de proteção que oferecesse benefícios a Chipre. Clegg, porém, considera improvável uma mudança no futuro próximo.

Uma eventual alteração de status também poderia integrar um acordo de paz mais amplo para Chipre. O tema ganhou nova dimensão jurídica depois de o Tribunal Internacional de Justiça concluir, em 2019, que a separação das Ilhas Chagos da Maurícia, durante a descolonização nos anos 60, violou o direito à autodeterminação e à integridade territorial.

Especialistas divergem sobre a comparação entre Chagos e Chipre. Em Chagos, a população indígena foi expulsa; em Chipre, as bases foram incorporadas ao tratado de 1960 e reconhecidas formalmente pela nova república. O Reino Unido mantém a posição de que sua soberania sobre Akrotiri e Dhekelia está assegurada pelo acordo.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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