LA PAZ — O Congresso da Bolívia aprovou um acordo de empréstimo de 1,9 bilhão de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Poucas horas depois, o presidente Rodrigo Paz anunciou o fim imediato dos subsídios ao diesel usado por caminhões, ônibus e tratores no país.
O Senado ratificou o acordo nesta sexta-feira, um dia depois da aprovação pela câmara baixa. Com isso, foi superado o último obstáculo legislativo ao programa de financiamento de três anos, que ainda precisa ser aprovado pelo conselho de administração do FMI antes da liberação dos recursos.
O acordo busca reforçar as reservas externas e estabilizar a economia boliviana, afetada por inflação elevada e baixo crescimento. O ministro da Economia, Christian Morales, afirmou aos senadores que o programa pode aumentar a confiança de outros credores, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, e ajudar a garantir cerca de 5 bilhões de dólares em financiamento adicional.
Fim do subsídio
A eliminação da ajuda ao diesel está entre as condições do FMI. A gasolina, usada principalmente em veículos particulares, continuará subsidiada por enquanto, embora Paz tenha reduzido esse apoio nos últimos meses.
O presidente disse que o diesel passará a ser vendido pelos preços internacionais. Para reduzir o impacto da mudança, anunciou cerca de 79 milhões de dólares em apoio direto a aproximadamente 2,9 milhões de bolivianos e empréstimos em condições preferenciais para caminhoneiros, pequenas empresas e produtores.
Paz também afirmou que a despesa antes destinada aos subsídios será redirecionada para escolas, hospitais e estradas. Segundo ele, a medida permitirá garantir o abastecimento de diesel 24 horas por dia, sete dias por semana.
A queda das exportações de gás natural reduziu os recursos usados pela Bolívia para importar gasolina e diesel e contribuiu para a escassez de combustível registrada desde 2023. O país também enfrentou bloqueios de estradas em junho e julho, que paralisaram grande parte do território.
A Central Operária Boliviana e outros sindicatos se opõem ao empréstimo. As entidades afirmam que os cortes de gastos exigidos pelo acordo podem elevar o custo de vida e aumentar as dificuldades das famílias de baixa renda. Na quinta-feira, o Congresso prorrogou por mais 90 dias o estado de emergência decretado por Paz durante os protestos.







