NOVA DÉLHI — Os líderes dos Brics encerraram neste domingo (13) uma cúpula de dois dias na Índia com compromissos em favor do multilateralismo, do crescimento econômico inclusivo e da cooperação entre países do Sul Global. O encontro também resultou na primeira posição comum do grupo sobre a guerra no Oriente Médio desde a intensificação das hostilidades.
No documento aprovado no sábado (12), os países pediram que as partes envolvidas exerçam “máxima contenção” e manifestaram “profunda preocupação” com o aumento das tensões na região. O consenso foi alcançado depois de divergências que haviam impedido, em maio, a aprovação de um comunicado conjunto pelos ministros das Relações Exteriores do bloco.
A declaração reuniu Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e os novos integrantes do Brics. Entre eles estão Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Rússia e China mantiveram relações comerciais com o Irã, enquanto os Emirados Árabes Unidos suspenderam parte dos vínculos econômicos com Teerã após ataques iranianos.
Economia e comércio
No último dia da cúpula, os chefes de Estado e de governo discutiram a economia mundial, a cooperação entre países emergentes e a defesa de um sistema comercial internacional baseado em regras e centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O primeiro-ministro indiano Narendra Modi afirmou que os membros do Brics respondem por cerca de 40% da riqueza produzida no planeta. “Nossa força está na diversidade e na cooperação”, disse. O presidente chinês Xi Jinping condenou o protecionismo e defendeu o multilateralismo econômico. Para o presidente russo Vladimir Putin, o grupo se tornou uma das principais forças do cenário internacional e contribui para uma ordem mundial “mais justa e multipolar”.
Criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China, o Brics recebeu a África do Sul no ano seguinte e ampliou sua composição nos últimos anos. A expansão elevou a influência do grupo entre as economias emergentes.
A cúpula também registrou uma tentativa de aproximação entre Índia e China. Modi e Xi Jinping afirmaram que pretendem buscar uma solução negociada para as divergências territoriais na fronteira do Himalaia, seis anos depois de confrontos mortais entre soldados dos dois países. Segundo a diplomacia indiana, os dois líderes concordaram em trabalhar por uma solução “honesta, razoável e mutuamente aceitável”.








