A administração do Canal do Panamá anunciou que a passagem de navios será reduzida novamente a partir de outubro. A rota, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, poderá receber cerca de 30 navios por dia devido à falta de água associada ao fenômeno climático El Niño.
O canal tem 80 quilômetros de extensão e evita que as embarcações precisem contornar a América do Sul. Cerca de 5% do comércio marítimo mundial passa pela via todos os anos. Em 2024, mercadorias avaliadas em US$ 444 bilhões atravessaram o canal.
A redução ocorre em um momento de tráfego elevado. Nos últimos meses, a passagem chegou a até 40 travessias por dia, em parte porque as perturbações no Oriente Médio, incluindo aquelas em torno do Estreito de Ormuz e do Canal de Suez, levaram países asiáticos a aumentar compras nos Estados Unidos e a utilizar mais a rota panamenha.
Menos água, menos travessias
O funcionamento do canal depende de água da chuva armazenada em dois grandes lagos artificiais. Entre maio e agosto, o volume que chegou à bacia ficou 44% abaixo do normal, segundo os dados apresentados sobre a operação da via.
A quantidade de passagens foi reduzida progressivamente: eram 36 por dia em agosto, passaram a 34 no início de setembro e a 32 em meados de setembro. A partir de outubro, a média ficará abaixo de 30 travessias diárias.
Para os armadores, a menor oferta de vagas aumenta o tempo de espera e o custo das passagens. No fim de agosto, um navio cargueiro pagou US$ 5,3 milhões por uma passagem prioritária, o maior valor registrado.
Alternativas mais longas e caras
Alguns armadores passaram a contornar a América do Sul, enquanto outros transportam as mercadorias por ferrovia, principalmente pelo México. As duas alternativas tornam o transporte mais demorado e caro, e esse aumento pode ser repassado aos preços das mercadorias.
O impacto tende a ser maior em países com forte dependência da rota. Um quarto do comércio exterior do Equador passa pelo Canal do Panamá. No Chile e no Peru, as proporções são de 22%.
O El Niño altera temperaturas, ventos e precipitações em diferentes regiões. No canal, o efeito se traduz em menor disponibilidade de água e menos navios; para o comércio, em rotas mais longas, custos maiores e possível alta dos preços.







