Milhões de crianças da América Latina estão expostas a riscos associados ao El Niño, que pode ampliar desigualdades e dificultar o acesso a serviços básicos. O alerta foi divulgado pelo Unicef nesta quarta-feira (30), com base em previsões da NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos.
O fenômeno deve alcançar forte intensidade entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Os impactos mais severos são esperados entre outubro e dezembro. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância estima que 25,8 milhões de crianças estejam sob risco crescente por causa de secas e chuvas intensas relacionadas ao El Niño.
Na Amazônia, a baixa dos rios pode deixar comunidades ribeirinhas e indígenas isoladas, comprometendo o acesso a alimentos, atendimento médico e educação. Em áreas da Bolívia, da Colômbia, do Chile e da Venezuela, a redução dos reservatórios pode favorecer incêndios florestais e pressionar o abastecimento de água.
Na Guatemala, em El Salvador, Honduras e Nicarágua, a estiagem deve prejudicar a produção agrícola. O cenário pode elevar a insegurança alimentar e o risco de desnutrição entre crianças que já enfrentam dificuldades para obter alimentos e água.
Roberto Benes, diretor regional do Unicef para a América Latina e o Caribe, afirmou que os efeitos do fenômeno ameaçam aumentar a vulnerabilidade infantil e aprofundar desigualdades. Ele também disse que uma tempestade de grande magnitude pode causar destruição generalizada e afetar centenas de milhares de crianças. A temporada de furacões, acrescentou, também sofre influência do El Niño.
Preparação e financiamento
Na costa do Pacífico do México e da América do Sul, a previsão de mais chuvas aumenta o risco de inundações e de danos a escolas e unidades de saúde. O Unicef pediu US$ 53,8 milhões, cerca de R$ 279 milhões, para responder às emergências provocadas pelo fenômeno na América Latina. Até 30 de junho, a organização havia obtido metade desse valor.
A entidade informou que atua com governos e parceiros humanitários na preparação para os impactos. Entre as medidas estão o acompanhamento de riscos, a revisão de planos de contingência, o armazenamento antecipado de suprimentos e o reforço dos sistemas de alerta.
O Unicef definiu 11 países prioritários para a resposta e defende a antecipação do financiamento, com o objetivo de manter serviços essenciais antes da chegada dos efeitos mais intensos.





