Uma funcionária do instituto anti-peste de Irkutsk, na Rússia, morreu após um tubo de ensaio se quebrar no laboratório. Autoridades russas afirmaram não ter encontrado provas de que a doença estivesse relacionada aos agentes patogênicos com os quais ela trabalhava.
Relatos não confirmados levantaram a hipótese de peste pneumônica, uma forma grave da doença que pode ser transmitida entre pessoas. Cerca de 200 indivíduos que tiveram contato com a funcionária passaram a ser monitorados, e hospitais da região foram colocados em quarentena, conforme informações divulgadas na Rússia.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) informou que acompanha a situação e mantém contato com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência afirmou estar ciente de um caso de pneumonia de origem desconhecida no leste da Rússia, suspeito de peste, mas ressaltou que a suspeita ainda não foi confirmada.
Com base nas informações disponíveis, o ECDC disse não haver registro de casos secundários ou de transmissão sustentada entre humanos. A agência também citou o número reduzido de viagens entre Irkutsk e os países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu.
Risco de transmissão
Alice Hughes, professora de ciência da conservação na Universidade de Melbourne, avaliou que a desinfecção do laboratório e a quarentena rápida tornam improvável uma disseminação maior. Para Zania Stamataki, professora associada de imunologia viral na Universidade de Birmingham, a peste continua presente em populações de roedores na África, na Ásia e nas Américas, com casos humanos todos os anos.
Brendan Wren, professor de patogênese microbiana na London School of Hygiene & Tropical Medicine, afirmou que não há motivo para grande preocupação, porque a transmissão da bactéria Yersinia pestis entre humanos costuma ser limitada.
A peste pneumônica ocorre quando a bactéria da peste atinge os pulmões. É a forma mais grave da doença e a única que pode ser transmitida de pessoa para pessoa. Sem tratamento, a mortalidade varia entre 30% e 100%.
Segundo a OMS, a doença pode provocar epidemias por meio de partículas respiratórias. O período de incubação pode ser de apenas 24 horas, e uma pessoa infectada pode transmitir a bactéria por partículas expelidas pela respiração.
Sintomas e tratamento
Os sintomas geralmente aparecem entre um e três dias após a infecção. Entre eles estão falta de ar, tosse e problemas respiratórios graves, com possibilidade de expectoração sanguinolenta ou aquosa.
Sem tratamento, a peste pneumônica pode ser rapidamente fatal. O diagnóstico precoce e o uso de antibióticos são essenciais para a sobrevivência e para reduzir complicações. O ECDC afirma que a doença pode ser tratada com antibióticos disponíveis na Europa.
Doentes com peste pneumônica devem ser isolados, enquanto os contatos precisam ser identificados e tratados. A OMS não recomenda a vacinação da população em geral, mas considera a medida para grupos de alto risco, como funcionários de laboratório constantemente expostos à infecção e profissionais de saúde.
A peste está ausente da Europa há mais de 50 anos. Casos humanos continuam sendo registrados na África, principalmente na República Democrática do Congo e em Madagascar.







