São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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De Rhodopis aos Grimm: como Cinderela mudou até chegar à Disney

A personagem reúne elementos de narrativas egípcias, chinesas e europeias, transformados ao longo de mais de dois mil anos.

De Rhodopis aos Grimm: como Cinderela mudou até chegar à Disney
Foto: (Gustave Doré (Wikimedia Commons)/Disney (Reprodução)/Montagem sobre reprodução)

A Cinderela conhecida hoje é resultado de uma longa transformação narrativa. Antes da animação da Disney, a personagem passou por versões em diferentes épocas e regiões, com mudanças no tom, nos personagens e nos elementos mágicos. A produção lançada em 1950 consolidou uma interpretação baseada principalmente no conto de Charles Perrault, publicado em 1697.

Uma história com muitas versões

Uma das primeiras narrativas associadas à estrutura de Cinderela é Rhodopis, registrada pelo historiador grego Estrabão entre o século 1 a.C. e o século 1 d.C., embora não se saiba a data exata. A protagonista é uma cortesã grega que tem as sandálias levadas por uma águia. O animal deixa os calçados no colo de um rei em Mênfis, no Egito Antigo. Impressionado, o governante procura a dona e a encontra em Náucratis. Os dois se casam.

Estrabão registrou a história, mas não é considerado seu autor original. O conto pode ter circulado oralmente entre os egípcios. Alguns historiadores relacionam essa personagem a outra Rhodopis, mencionada por Heródoto em suas Histórias cerca de 500 anos antes. Nessa versão, ela é uma escrava da Trácia levada ao Egito. Charaxe se apaixona por ela, paga para libertá-la e ela se torna a mulher mais rica do país.

A personagem também aparece na Varia Historia, compilação do orador romano Cláudio Eliano, que viveu entre 175-235 d.C.

Registros no Oriente e na Europa

Por volta do século 9, o escritor chinês Duan Chengshi registrou Ye Xian na coletânea Youyang zazu (Miscelânea de fatos de Youyang). A jovem é maltratada pela madrasta, recebe ajuda de um animal, ganha roupas especiais, vai a uma festa e perde um sapato. O governante encontra o calçado, localiza sua dona e se casa com ela. A pesquisadora Fay Beauchamp apontou a proximidade entre essa narrativa, a versão de Perrault e a produção da Disney.

Na Europa, Giambattista Basile publicou “La Gatta Cenerentola” na coletânea Lo cunto de li cunti (O conto dos contos), entre 1634 e 1636. Sua protagonista, Zezolla, mata a própria madrasta com ajuda da governanta. Depois, a governanta se casa com o pai da jovem e passa a maltratá-la.

Perrault publicou Cendrillon ou la petite pantoufle de verre (“Cinderela ou o Sapatinho de Cristal”) em 1697. Foi nessa versão que ganharam força a madrasta, as irmãs postiças, o baile, a fada madrinha, a transformação mágica, a carruagem que vira abóbora e o sapato de vidro ou cristal.

A consolidação da personagem

Jacob e Wilhelm Grimm publicaram Aschenputtel em 1812. Nessa narrativa, pássaros, especialmente pombas, ocupam o lugar central da ajuda mágica; o calçado é dourado, e as irmãs mutilam os próprios pés para tentar usá-lo.

A Disney retomou principalmente a história de Perrault, o único autor creditado no filme, mas também incorporou elementos presentes em outras tradições. O resultado atenuou a violência e colocou o romance no centro da versão contemporânea de Cinderela.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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