ISTAMBUL — Dezenas de pessoas foram detidas na terça-feira (15) durante um protesto contra operações policiais direcionadas à comunidade LGBT+ na Turquia. A manifestação ocorreu diante do tribunal de Caglayan, na parte europeia de Istambul.
Os participantes foram cercados pela polícia turca depois de se recusarem a deixar o local. Durante o ato, eles carregaram uma faixa com a mensagem “Ser LGBT+ e se organizar não é crime” e pediram a libertação imediata das pessoas detidas. Também foram ouvidos gritos como “Viva a luta pela liberdade” e “Apesar do ódio, viva a vida”.
Uma manifestante identificada como Zeynep, de 44 anos, disse estar irritada, frustrada e decepcionada com a situação. Para ela, as operações contra ativistas LGBT+ são preocupantes e atingem pessoas que, segundo sua avaliação, apenas defendem seus próprios direitos ou os de terceiros.
Operações e críticas
No domingo, dezenas de pessoas já haviam sido detidas em bares gays e nas residências de ativistas LGBT+. As acusações mencionadas pelas autoridades incluem “obscenidade”, “auxílio à prostituição” e “vínculos financeiros com o exterior”.
Contas em redes sociais de defensores dos direitos humanos e de veículos de comunicação também foram bloqueadas durante operações chamadas “Minha família está segura”. O ministro turco da Justiça, Akin Gürlek, afirmou que a campanha continuará, apesar das preocupações manifestadas, entre outros, pela União Europeia.
O partido pró-curdo DEM denunciou as ações. Em uma publicação na rede social X, a legenda afirmou que a linguagem da paz não pode ser acompanhada de repressão e criticou a restrição do espaço democrático.
O presidente Recep Tayyip Erdogan declarou 2026 como o “Ano da Família” e frequentemente faz críticas a pessoas LGBT+, classificando-as como “perversas” e atribuindo a elas a queda da taxa de natalidade.
A homossexualidade não é criminalizada na Turquia, mas é amplamente rejeitada, enquanto a homofobia está disseminada até os níveis mais altos do Estado. O DEM participa das negociações entre o governo turco e Abdullah Öcalan, líder preso do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), em um processo de paz que busca encerrar mais de quatro décadas de guerrilha.







