PARIS — Um monitor de atividades extracurriculares foi condenado a cinco anos de prisão por agressões sexuais contra nove crianças em uma escola de Paris. A sentença prevê que um ano seja cumprido em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. É a primeira pena de prisão efetiva aplicada pela Justiça francesa no escândalo envolvendo atividades extracurriculares na capital.
Michaël M., de 38 anos, foi considerado culpado por crimes contra alunos de cinco a 10 anos da escola Vigée-Lebrun, no 15º distrito de Paris, entre setembro de 2022 e janeiro de 2024. Durante a audiência de 31 de agosto, ele admitiu os fatos, mas disse não se lembrar deles.
O tribunal determinou o início imediato da prisão domiciliar monitorada e do acompanhamento sociojudicial por dez anos, mesmo em caso de recurso. O condenado também foi proibido definitivamente de exercer atividades profissionais que envolvam contato com menores e de ocupar cargos no serviço público.
A decisão levou em conta os relatos das crianças, depoimentos de colegas e declarações do próprio monitor. O juiz Thierry Donard afirmou que a alegação de ausência de atração sexual foi contrariada por mensagens trocadas pelo acusado em um fórum com conteúdos de pornografia infantil.
Segunda condenação ligada ao escândalo
Essa é a segunda condenação relacionada ao caso. Em 10 de julho, outro monitor, do 10º distrito, recebeu 18 meses de prisão com suspensão condicional da pena por agressão sexual contra uma criança. Dois outros monitores julgados nas semanas anteriores pelo tribunal de Paris foram absolvidos, o que provocou revolta entre familiares.
A investigação começou após uma mãe denunciar, em 12 de janeiro de 2024, que a filha, de seis anos, havia relatado dois episódios de toque nas nádegas. Outras possíveis vítimas foram identificadas, e algumas meninas disseram ter sofrido toques nas partes íntimas no pátio da escola ou durante passeios escolares.
Durante o julgamento, o réu pediu desculpas às vítimas e às famílias e afirmou lamentar profundamente o ocorrido.
Investigação sobre a Prefeitura
Também nesta terça-feira, a ex-prefeita de Paris Anne Hidalgo prestou esclarecimentos sobre o escândalo. Ela e o atual prefeito, Emmanuel Grégoire, são alvo de investigações criminais após denúncias de famílias, entre elas uma suspeita de omissão de socorro a pessoa em perigo.
Desde o início de 2026, a Prefeitura suspendeu 132 monitores, dos quais 52 por suspeita de violência sexual ou sexista. Grégoire declarou que os números mostram um problema sistêmico e lançou, em abril, um plano de € 20 milhões para combater a violência sexual nas atividades extracurriculares.
Mais de 200 inquéritos criminais estão em andamento envolvendo escolas de ensino fundamental e creches da capital, com funcionários dessas instituições entre os alvos. Perante uma comissão de inquérito do Senado, Hidalgo reconheceu falhas operacionais e problemas nas cadeias de comunicação da Prefeitura. Ela também disse que um relatório da Inspeção-Geral da Prefeitura, encomendado em 2015, apresentou 50 recomendações, das quais metade não havia sido implementada.







