O governo da Turquia prendeu 26 pessoas e realizou buscas em sedes de seis associações LGBTQIA+ durante uma operação nacional apresentada como parte da campanha “Minha família está segura”. A ação ocorreu em 12 províncias e também incluiu o bloqueio de sites e contas de organizações de direitos.
Neste domingo (13), entidades de defesa de direitos denunciaram discriminação estatal e aumento da repressão à sociedade civil. A campanha é apresentada pelas autoridades como uma iniciativa de defesa da família e de combate ao que classificam como “obscenidade” e “prostituição”.
O gabinete do procurador-geral de Istambul informou que a operação tinha como alvo 38 suspeitos. Segundo o órgão, foram apreendidos drogas, equipamentos digitais, bebidas alcoólicas contrabandeadas e uma arma de fogo. As investigações apuram uma suposta influência indevida sobre menores em questões de orientação sexual e identidade de gênero. “Há indícios de que crianças e adolescentes estão sendo expostos a conteúdos inadequados”, afirmou o gabinete.
A associação Kaos GL, sediada em Ancara, contestou os números oficiais e afirmou que ao menos 50 ativistas foram detidos. Mais de dez pessoas teriam sido levadas sob custódia após buscas em suas residências, segundo a entidade, que também denunciou o bloqueio de dezenas de sites e contas em redes sociais ligados a organizações LGBTQIA+, militantes e defensores de direitos.
A Associação Turca de Direitos Humanos classificou a ação como uma política de intimidação. “Trata-se de discriminação de Estado, de uma política do medo e do desmonte da sociedade civil”, afirmou a entidade em publicação no X.
Investigações em várias províncias
O ministro da Justiça, Akin Gurlek, informou que investigações conduzidas por procuradorias de Istambul, Ancara, Izmir, Aydin e Mersin levaram à abertura de processos contra 162 suspeitos, além de nove associações e 13 empresas distribuídas por 15 províncias. Ele declarou que o governo pretende proteger a estrutura familiar e combater práticas ilegais.
A campanha foi lançada enquanto o presidente Recep Tayyip Erdogan promove a chamada “década da família e da população”, iniciativa associada pelo governo à queda da taxa de natalidade e ao envelhecimento demográfico. As autoridades relacionam a defesa da família a medidas contra grupos LGBTQIA+, com operações policiais e bloqueios digitais.
Organizações de direitos humanos afirmam que a Turquia vem adotando políticas mais restritivas contra a comunidade LGBTQIA+. Entre as medidas mencionadas estão o endurecimento do discurso oficial, a proibição de eventos e ações policiais. Marchas do orgulho e reuniões públicas relacionadas ao tema passaram a ser proibidas no país.
A ofensiva também afeta a atuação de organizações civis. Segundo as entidades citadas, prisões, buscas e bloqueios de sites e perfis dificultam a comunicação, a divulgação de campanhas e a prestação de apoio jurídico e psicológico a pessoas LGBTQIA+. A Associação Turca de Direitos Humanos afirmou que a justificativa de proteção de menores e defesa da família é usada para criminalizar identidades e movimentos sociais.







