Os líderes dos países do Brics encerraram neste domingo (13) uma cúpula de dois dias com um chamado à cooperação econômica e ao crescimento global inclusivo. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da delegação.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anfitrião do encontro, afirmou que os países do grupo reúnem metade da população mundial, 40% do Produto Interno Bruto (PIB) global e mais de um quarto do comércio internacional. Participaram das discussões os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
“A força do Brics reside em nossa diversidade e em nossa cooperação”, disse Modi. Ele também declarou que o bloco busca promover o crescimento global inclusivo e defendeu avanços conjuntos, apesar das diferenças entre os países.
Putin afirmou que o grupo trabalha por uma nova ordem mundial multipolar. Xi, por sua vez, comparou um mundo sem regras a um cruzamento sem semáforos e disse que a ausência de normas levaria ao caos e à desordem.
Comércio e divergências entre China e Índia
Em declaração conjunta divulgada no sábado, os líderes reafirmaram o apoio a um sistema comercial multilateral aberto, transparente, inclusivo e baseado em regras, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) no centro. Xi pediu aos integrantes que rejeitassem o protecionismo e apoiassem o sistema multilateral de comércio.
A posição foi apresentada menos de duas semanas antes da visita planejada do presidente chinês a Washington. O texto também ocorre em meio à guerra tarifária conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025.
As relações comerciais entre China e Índia estiveram entre os temas de tensão. Após uma reunião bilateral no sábado, Modi e Xi destacaram, em comunicado do governo indiano, a necessidade de enfrentar preocupações como o desequilíbrio estrutural no comércio entre os dois países. O déficit comercial indiano com a China chegou a US$ 112 bilhões (R$ 570 bilhões) no ano fiscal de 2025-2026.
A cúpula também produziu uma declaração sobre a guerra no Oriente Médio. No sábado, os chefes de Estado e de governo pediram às partes em conflito que exercessem máxima moderação.
Criado em 2009, o Brics reúne Brasil, Rússia, Índia, China e, posteriormente, África do Sul. O grupo se expandiu e passou a incluir, entre outros, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A participação de Xi marcou sua primeira visita à Índia desde 2019. O governo indiano divulgou um vídeo no qual ele afirmou que China e Índia podem complementar suas forças, apoiar-se e avançar juntas. A visita também provocou protestos de dezenas de tibetanos em Nova Délhi. O Dalai Lama vive na Índia desde que deixou a China em 1959.








