O diretor do sistema penitenciário do Tennessee, Frank Strada, renunciou ao cargo após a tentativa malsucedida de executar Christa Pike por injeção letal. O governador Bill Lee informou que Strada deixará a função ainda neste mês, em comunicado divulgado neste sábado (3).
Pike sobreviveu a duas injeções letais durante a execução, realizada na noite de quarta-feira (30). Ela permanece inconsciente e sob respiração assistida em um hospital de Nashville, segundo documentos apresentados por seus advogados à Justiça do Tennessee.
Lee anunciou a suspensão das execuções no estado e a abertura de uma investigação independente sobre o caso. O governador não fez referência direta à execução fracassada ao comunicar a saída de Strada.
Em nota, o diretor afirmou que a administração penitenciária cumpriu o protocolo estabelecido, mas considerou que renunciar era a melhor decisão enquanto a investigação estivesse em andamento. A administração havia declarado que seguiu as regras adotadas desde a retomada das execuções no Tennessee, em maio de 2025, depois de uma moratória de três anos.
Investigação sobre o procedimento
Os advogados de Pike pediram a conversão da pena de morte em prisão perpétua. Um deles, Randy Spivey, afirmou que ela está há mais de 20 anos em confinamento solitário e passou por uma tentativa completa de execução.
Lee havia recusado anteriormente a conversão da pena e declarou que sua responsabilidade era cumprir as sentenças determinadas pelos júris do Tennessee. Os advogados apresentaram recursos para preservar provas e reconstruir o procedimento médico usado na execução.
A defesa apontou duas hipóteses para explicar a falha. A primeira é o extravasamento ou infiltração da solução, quando a infusão intravenosa não chega à corrente sanguínea e se espalha pelos tecidos próximos ao local da aplicação. Esse problema pode ocorrer quando é difícil acessar os vasos sanguíneos, situação atribuída à doença hematológica de Pike.
Os advogados relataram bolhas e queimaduras no braço esquerdo da condenada e disseram que foram necessárias ao menos sete tentativas para introduzir a agulha. A segunda hipótese é o uso de pentobarbital vencido ou defeituoso. A substância é produzida por laboratórios especializados, já que o sistema penitenciário não pode comprá-la diretamente no mercado. Especialistas não descartam um erro na composição do medicamento.
O advogado Luke Ihnen disse que médicos se esforçaram para salvar a vida de Pike quando ela chegou ao hospital.







