GRAND ISLAND, NEBRASKA — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para adiar a cobrança de impostos sobre o diesel vermelho usado em estradas públicas. A medida ocorre em meio à alta dos combustíveis e a semanas das eleições intercalares do próximo mês, sob pressão sobre os republicanos.
O diesel marcado é praticamente igual ao diesel comum, mas normalmente não paga os impostos sobre o uso rodoviário. Seu uso em estradas públicas costuma resultar em penalizações. A ordem determina que a cobrança sobre o combustível utilizado entre 5 de outubro e 31 de dezembro seja adiada, sem juros nem multas.
A medida não extingue o imposto. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, deverá buscar alternativas, inclusive por meio de legislação, para eliminar a obrigação de pagar os valores adiados. A ordem também dá a Bessent cinco dias, em coordenação com o secretário da Guerra, Pete Hegseth, para avaliar se as condições previstas na lei estão presentes e definir quais contribuintes podem ser beneficiados.
Trump afirmou durante um comício que a ordem permitiria que qualquer pessoa comprasse diesel vermelho sem imposto. “Não faço ideia do que raio isto seja, mas seja o que for, dizem que é muito bom”, disse o presidente, segundo o texto de sua fala. A própria ordem, porém, não cita especificamente caminhoneiros ou agricultores.
Impacto sobre custos
De acordo com a Casa Branca, o imposto federal sobre o diesel é de 24,4 cêntimos por galão. Isso representa cerca de 60 dólares em um abastecimento de 250 galões. A economia pode superar 100 dólares por abastecimento nos estados que adotarem medida semelhante. Para um caminhão grande, o abastecimento de 250 galões custa cerca de 1.580 dólares, com impostos incluídos, pelo preço médio registrado na segunda-feira.
Autoridades federais e governadores estaduais também poderão decidir suspender inspeções e eliminar a cobrança. Caso o governo não encontre uma forma de cancelar o valor, o imposto adiado continuará devido após o fim do período previsto.
A Casa Branca apresentou a iniciativa como um alívio para caminhoneiros e agricultores. Na prática, o benefício interessa principalmente a operadores de caminhões a diesel e veículos agrícolas, enquanto a maioria dos automóveis nos Estados Unidos usa gasolina.
Preços e reação
Na segunda-feira, o diesel custava, em média, 6,32 dólares por galão nos Estados Unidos, segundo a AAA. O valor ficou próximo do recorde de 6,53 dólares, registrado em 22 de setembro, e mais de 70% acima do preço de um ano antes.
A Casa Branca atribuiu a alta à guerra entre Rússia e Ucrânia, à falta de capacidade de refino no mundo e a decisões de estados governados por democratas de fechar refinarias. O texto também registra que a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, afetou o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, enquanto a Rússia reduziu as exportações de combustíveis após ataques ucranianos contra refinarias.
Trump destacou um acordo do G7 para liberar 100 milhões de barris de diesel refinado das reservas estratégicas ao longo dos próximos quatro meses. Agricultores apoiaram a ordem. “Cada cêntimo por galão conta quando se gere uma frota de camiões de cereais ou se transporta gado centenas de quilómetros”, afirmou Zippy Duvall, presidente da American Farm Bureau Federation.
Na terça-feira, os preços do petróleo recuaram. O Brent caiu cerca de 2,5%, para abaixo de 100 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate também recuou 2,5%, para menos de 88 dólares.







