São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Documentário em Biarritz relembra eleição comunista em Olinda

Filme de Douglas Henrique relaciona a vitória de Luciana Santos à chegada do primeiro McDonald's à cidade histórica.

Documentário em Biarritz relembra eleição comunista em Olinda

O documentário Os Arcos Dourados de Olinda, dirigido pelo pernambucano Douglas Henrique, foi apresentado no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz e revisita a eleição de Luciana Santos para a Prefeitura de Olinda, no início dos anos 2000. O filme também aborda a controvérsia provocada pela instalação de um restaurante do McDonald's na cidade histórica.

A obra combina entrevistas e imagens de arquivo para reconstruir a disputa eleitoral de 2000. A narrativa acompanha, ao mesmo tempo, a campanha que levou Luciana Santos ao cargo e a chegada da rede norte-americana de fast-food a Olinda. Ela é apresentada como a primeira prefeita comunista eleita no país após a redemocratização.

Política, identidade e memória

Douglas Henrique afirma que o documentário não tenta estabelecer uma relação direta entre os dois acontecimentos. O objetivo, segundo ele, é explorar o que cada episódio simbolizava naquele contexto: a presença de um restaurante norte-americano em uma cidade histórica e a eleição de uma prefeita comunista em um município com projeção cultural.

A exibição na França ocorreu a poucos dias da eleição presidencial brasileira. Para o diretor, essa circunstância acrescentou uma dimensão política à sessão. “É particularmente especial estar aqui a alguns dias da eleição no Brasil”, afirmou.

O filme foi narrado com humor e ironia, e a equipe observou reações diferentes do público conforme o contexto cultural. Referências que funcionaram melhor na Colômbia e na Argentina tiveram respostas distintas na França, de acordo com Douglas Henrique.

O diretor também relacionou a história retratada às discussões atuais sobre a influência norte-americana na América Latina. Na avaliação dele, essa influência se tornou mais explícita e visível. Ele espera que as decisões brasileiras sejam tomadas dentro do campo democrático e que a influência externa não tenha peso determinante.

Dificuldades para o cinema brasileiro

Apesar do reconhecimento internacional de produções recentes, Douglas Henrique disse que fazer cinema no Brasil continua sendo difícil. As políticas públicas para o setor voltaram a oferecer uma perspectiva, mas ainda não atendem, na avaliação dele, à dimensão cultural do país.

O diretor citou obstáculos tanto para produzir com orçamento reduzido quanto para levar os filmes a festivais internacionais. A falta de recursos para a circulação no exterior, segundo ele, faz com que algumas pessoas desistam desse processo. Ainda assim, ele vê possibilidade de continuidade das políticas de incentivo e de fortalecimento da cultura.

Natural de Pernambuco, Douglas Henrique também destacou a influência de cineastas do estado em sua geração. Ele citou Kleber Mendonça Filho, Gabriel Mascaro, Marcelo Gomes e Paulo Caldas como nomes que ajudaram a consolidar uma nova geração de realizadores pernambucanos.

Para o diretor, a presença desses cineastas em festivais e o reconhecimento de seus filmes no exterior contribuíram para que o cinema produzido em Pernambuco fosse visto como referência internacional. “Isso nos dá uma confiança importante”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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