O documentário “NAZA”, sobre os ataques israelitas a Gaza, arrecadou cerca de 1,1 milhões de euros nos cinemas italianos até terça-feira, depois de estrear na segunda-feira (28 de setembro). No mesmo período, “Avengers Endgame: Encore”, da Marvel, somou 356 mil euros.
A exibição de “NAZA” estava inicialmente planejada para três dias, mas foi ampliada após sessões esgotadas. A expectativa é que mais de 150 salas na Itália mantenham o filme em cartaz. Andrea Romeo, fundador da distribuidora I Wonder Pictures, afirmou que a obra continuará sendo exibida enquanto houver interesse das salas.
Produção e conteúdo
Dirigido pelos israelitas Yuval Abraham e Rachel Szor, vencedores do Óscar por “No Other Land”, o documentário tem 80 minutos e reúne entrevistas com 24 oficiais da inteligência militar israelita, soldados e denunciantes. Os participantes relatam como palestinianos são escolhidos como alvos e como os bombardeamentos são realizados com inteligência artificial e sistemas automatizados de vigilância e seleção de alvos. As identidades foram protegidas com alterações digitais nos rostos e nas vozes.
A sinopse oficial descreve o filme como uma investigação sobre os sistemas por trás da morte em massa de civis palestinianos em Gaza. A produção foi filmada em segredo, durante a noite, nos telhados de Telavive, no decorrer da guerra em Gaza.
O documentário recebeu o Prémio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza e uma ovação de pé de 25 minutos. A produção se baseia em reportagens publicadas entre 2023 a 2025.
Abraham e Szor disseram que fizeram o filme por considerarem uma obrigação usar sua posição como israelitas para examinar os sistemas por trás da morte em massa de civis palestinianos. Eles também questionaram como ocorre a desumanização de um grupo por outro e como esse tipo de sistema funciona internamente.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou os realizadores de promover uma incitação antissemita global e afirmou que o filme retrata as Forças de Defesa de Israel como criminosas de guerra. O ministro da Cultura, Miki Zohar, equiparou a crítica às ações de Israel ao antissemitismo e anunciou que pretendia agir para revogar a cidadania israelita de Abraham e Szor.
“NAZA” será lançado em mais de 50 territórios nas próximas semanas.







