NOVA YORK — A resposta do governo de Benjamin Netanyahu às críticas de Emmanuel Macron sobre as operações militares israelenses em Gaza e na Cisjordânia incluiu a acusação de que o presidente francês fez um discurso desconectado da realidade. O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, também apoiou essa avaliação.
Em comunicado, o escritório do primeiro-ministro israelense classificou as declarações de Macron como “absurdo grotesco”. A nota afirmou que integrantes do Hamas realizam ataques contra judeus e mataram civis israelenses em Judeia e Samaria, nome bíblico usado para a Cisjordânia.
O governo israelense citou ainda a morte a tiros, no domingo (20), de um colono na Cisjordânia. O homem era pai de seis filhos e tinha nacionalidade francesa. O Exército de Israel disse ter detido o atirador palestino em um hospital e informou que soldados fizeram uma incursão no vilarejo dele. Netanyahu passou a defender a execução do suspeito com base em uma nova lei.
Macron havia discursado na terça-feira (22), no primeiro dia da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O presidente francês criticou as operações israelenses nos territórios palestinos e questionou a falta de reação dos líderes internacionais. “Qual é a nossa credibilidade se continuarmos inertes diante de Gaza?”, declarou.
O presidente também disse que o Hamas nunca atuou na Cisjordânia e considerou incoerente associar a segurança de Israel à violação da soberania de países vizinhos. Ele mencionou o deslocamento de milhares de libaneses após a destruição de vilarejos por soldados israelenses.
Macron voltou a defender a solução de dois Estados como condição para garantir a segurança de Israel e de seu povo. No ano passado, ele liderou, com a Arábia Saudita, a chamada Declaração de Nova York, apoiada por 142 Estados e voltada ao reconhecimento da Palestina.
Defesa da ONU
O discurso durou 30 minutos e foi o último de Macron na Assembleia Geral da ONU durante este mandato, que termina em 2027, sem possibilidade de reeleição. Ele defendeu o multilateralismo e pediu o engajamento dos líderes em favor das Nações Unidas.
O presidente francês criticou impérios e a chamada lei da selva. Também fez críticas indiretas a Donald Trump, por suas ambições territoriais no Canadá e na Groenlândia, e mencionou China e Rússia, países que, segundo ele, bloqueiam com frequência resoluções no Conselho de Segurança. Macron encerrou a fala defendendo que os países são mais fortes e eficazes quando atuam juntos e declarou: “viva as Nações Unidas”.







