São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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EUA enviaram mais de 25 mil migrantes a países terceiros

Sistema criado no governo Trump levou pessoas expulsas dos Estados Unidos a 28 países, segundo dados verificados em investigação internacional.

EUA enviaram mais de 25 mil migrantes a países terceiros

Mais de 25 mil migrantes foram enviados pelos Estados Unidos a países que não eram seus locais de origem entre 20 de janeiro de 2025 e 31 de agosto de 2026. Ao todo, 25.447 pessoas foram transferidas para 28 países terceiros, em uma estratégia associada ao segundo governo de Donald Trump.

A política atingiu pessoas de diferentes nacionalidades. Entre elas está Arsaalan Saleh Fard, iraniano convertido ao cristianismo. Após fugir do Irã e atravessar a fronteira mexicana perto de San Diego, ele se entregou às autoridades americanas para pedir asilo, mas foi detido e enviado ao Panamá cerca de dez dias depois.

Fard, hoje com 25 anos, integrou um grupo de 299 migrantes levados ao Panamá em três voos organizados algumas semanas depois da posse de Donald Trump, em janeiro de 2025. Nenhum dos passageiros era panamenho ou tinha vínculo com o país.

Como o sistema foi estruturado

Pelo menos 105 voos puderam ser identificados no período analisado. A contagem, porém, é incompleta. O Equador recebe aviões com seus próprios cidadãos expulsos, o que dificulta identificar passageiros de outras nacionalidades. No México, principal destino, as transferências ocorrem principalmente por ônibus.

Em fevereiro de 2025, a Agência de Imigração e Controle de Fronteiras dos Estados Unidos (ICE) orientou agentes a verificar de forma sistemática o envio a países terceiros de pessoas que não pudessem ser devolvidas aos países de origem por causa dos riscos envolvidos.

O Departamento de Estado criou um “Office of Remigration”, responsável, entre outras funções, por negociar acordos com governos estrangeiros. Documentos internos indicam que pelo menos US$ 410 milhões foram mobilizados para facilitar esses entendimentos.

O governo havia estabelecido a meta de chegar a até um milhão de expulsões em um ano. A estratégia dos países terceiros passou a integrar essa política.

Destinos e decisão judicial

O México recebeu cerca de 20 mil pessoas, enquanto a Guatemala recebeu 2.981. Na África, 34 pessoas, incluindo vietnamitas e laocianos, foram encarceradas em Essuatíni. Outras 63 foram enviadas à Guiné Equatorial, entre elas cubanos e brasileiros.

Santa Lúcia recebeu seis pessoas de cinco nacionalidades: Cuba, Quirguistão, Papua-Nova Guiné, Jordânia e Indonésia. Até 31 de agosto, 28 Estados haviam recebido pessoas de países terceiros, enquanto pelo menos 35 tinham firmado acordos com os Estados Unidos. Em 4 de setembro, a Guiana recebeu seis cidadãos cubanos e afegãos pela primeira vez.

Em 18 de setembro, um tribunal de apelação confirmou a anulação das diretrizes que regulamentavam as expulsões. A decisão considerou que as regras não garantiam aviso prévio suficiente nem a possibilidade de contestar a transferência diante do temor de perseguição no país de destino. O governo Trump ainda poderá recorrer à Suprema Corte.

Depois de 18 meses no Panamá, sem autorização para trabalhar e sem falar espanhol, Arsaalan Saleh Fard partiu novamente, desta vez para o México.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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