CEUTA — A ministra espanhola da Juventude e Infância, Sira Rego, defendeu que menores estrangeiros não acompanhados possam permanecer na Espanha caso essa seja a vontade deles. Em entrevista à rádio Cadena SER, ela afirmou que a maioria deve ficar no país porque há leis que garantem sua proteção.
O governo central calcula que Ceuta tenha entre 2500 e 3000 menores não acompanhados. Cerca de 1500 chegaram durante a crise do final de julho, segundo dados policiais revisados para baixo, enquanto meio milhar já estava no enclave antes do período de crise. A estimativa é que entre 500 e 700 ainda estejam fora do sistema de proteção.
“Penso que a maioria quer ficar em Espanha e vai ficar, claro. Há uma lei que os protege”, disse Rego. A ministra também sustentou que as regras aplicadas aos menores são iguais para todos, sem distinção de origem, e que a obrigação das autoridades é protegê-los.
Rego afirmou que muitas das crianças chegaram após fugir de situações de violência ou extremas. Ela defendeu que as políticas públicas sejam formuladas de acordo com a lei e o Estado de direito, mas também com empatia, e criticou a banalização do mal.
Divergência sobre Marrocos
A ministra, que foi deputada no Parlamento Europeu pela Izquierda Unida entre 2019 e 2023, reconheceu que a colaboração das autoridades marroquinas costuma ser limitada. “Não é habitual termos uma resposta fluida de Marrocos e isso costuma ser um problema”, declarou.
A posição diverge da defendida pelo presidente do governo, Pedro Sánchez, e pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Eles sustentam que não há provas de que Marrocos ou outros atores tenham desempenhado um papel ativo no início da crise. O texto também menciona testemunhos de migrantes sobre a atuação de guardas marroquinos e relatórios posteriores, privados e policiais, que apontariam nessa direção.







