Uma carta assinada por 122 eurodeputados de diferentes grupos políticos pede que a União Europeia retome as negociações para usar ativos russos congelados no financiamento do apoio à Ucrânia. O documento foi enviado na quarta-feira e afirma que Moscou deve arcar com os danos provocados pela guerra.
A iniciativa ocorre enquanto Kiev aponta um déficit de 23 bilhões de euros no financiamento da defesa. Os parlamentares também dizem que o empréstimo de 90 bilhões de euros aprovado pela União Europeia no início deste ano não será suficiente. Segundo a carta, o custo estimado da destruição causada pela Rússia já supera 600 bilhões de euros.
A União Europeia mantém mais de 200 bilhões de euros em ativos russos, a maior parte na Bélgica. Em dezembro passado, a Comissão Europeia apresentou um plano para convertê-los em um empréstimo sem juros destinado a financiar a defesa ucraniana contra a invasão em grande escala de Moscou. Os países do bloco, porém, não chegaram a um acordo por causa de riscos jurídicos, e a proposta não avançou na cúpula de líderes em Bruxelas.
Os signatários pedem que a Comissão Europeia apresente uma alternativa às objeções de alguns Estados-membros. A Bélgica se opôs ao plano desde o início por receio de ações judiciais russas. O país abriga a Euroclear, principal depositária dos ativos. Itália, Bulgária e Malta também manifestaram reservas.
A proposta dos eurodeputados prevê transferir os ativos para um novo instrumento da União Europeia, que assumiria as obrigações legais perante o banco central da Rússia. Assim, seria possível fornecer apoio financeiro à Ucrânia e manter a pressão econômica sobre Moscou.
A carta foi lançada pelos eurodeputados liberais Karin Karlsbro, Nathalie Loiseau e Petras Auštrevičius. O documento é dirigido a Ursula von der Leyen, Kaja Kallas, Valdis Dombrovskis, António Costa e Micheál Martin, que ocupa a presidência rotativa do Conselho da União Europeia.
“A Rússia deve suportar as consequências financeiras da sua guerra de agressão”, afirma a carta.







