A aplicação das novas sanções dos Estados Unidos contra a energia russa pode alcançar não apenas países que compram petróleo e gás, mas também portos e empresas europeias que prestam serviços a navios transportadores de GNL. A legislação assinada pelo presidente Donald Trump permite tarifas aduaneiras de até 100% contra países que continuem adquirindo energia russa, embora não determine automaticamente a cobrança contra a União Europeia.
A Comissão Europeia afirmou que pretende negociar com Washington para evitar novas barreiras comerciais entre os dois lados. Um porta-voz disse que o bloco tem “expectativas claras” de que a lei não prejudique a relação bilateral entre a União Europeia e os Estados Unidos.
Pressão sobre o abastecimento
A medida ocorre enquanto a União Europeia enfrenta dificuldades para recompor suas reservas de gás. Segundo a plataforma Global Energy Flow, o bloco precisa alcançar pelo menos 80% de armazenamento até novembro, mas os estoques estão no menor nível para esta época do ano desde o início dos registros, em 2011. A concorrência com compradores asiáticos também reduz a oferta disponível para os países europeus.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que não havia pensado se a lei poderia prejudicar parceiros europeus e disse esperar que isso não aconteça. As declarações foram dadas à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro.
A União Europeia vem reduzindo a dependência do GNL russo, mas as importações subiram para 17% após exceções concedidas a países sem acesso ao mar e a Estados com contratos de longo prazo. A proibição total das compras de GNL de Moscou está prevista para 1 de janeiro de 2027. França, Bélgica, Países Baixos e Espanha ainda estão entre os países europeus expostos ao gás russo.
Ben McWilliams, investigador associado do Bruegel, avaliou que as tarifas provavelmente terão efeito limitado porque nenhum carregamento de GNL russo deverá entrar no bloco depois da proibição de 2027. Para ele, a Rússia poderá buscar outros mercados, enquanto empresas de serviços públicos e negociantes tiveram tempo para se preparar.
Portos e reparos navais
A organização alemã Urgewald alertou que a legislação também pode afetar o proprietário ou operador de um porto estrangeiro que permita a entrada ou ofereça serviços a um navio sancionado pelos Estados Unidos. Entre os portos europeus mencionados está o dinamarquês Odense Havn.
As sanções serão revistas pelo Congresso em 18 de outubro. Segundo a Urgewald, a lei alcança navios estrangeiros considerados responsáveis pelo transporte deliberado de GNL russo, embora as designações não sejam automáticas e possam ter isenções por interesse nacional.
O estaleiro dinamarquês Fayard, especializado em reparação naval, é alvo de contestação por atender navios de GNL do Ártico ligados à Rússia. O eurodeputado sueco Jonas Sjöstedt criticou a manutenção de um navio-tanque russo de GNL Arc7 no local. A eurodeputada alemã Hannah Neumann também pediu que o estaleiro interrompa esse tipo de serviço.







