MILÃO — Uma exposição no Palazzo Reale revisita a relação entre Salvador Dalí e a moda, reunindo mais de 200 peças entre obras de arte, roupas, fotografias e materiais de arquivo. A mostra apresenta tanto a influência da moda sobre o artista espanhol quanto a presença de seu universo surreal no trabalho de diferentes gerações de estilistas.
A relação ganhou força na década de 1930, quando Dalí colaborou com nomes como Elsa Schiaparelli. Um dos exemplos exibidos é o chapéu em formato de sapato de salto alto criado por Schiaparelli a partir de uma imagem do artista com um sapato feminino equilibrado na cabeça. Dalí teria esboçado a ideia, posteriormente transformada pela estilista em uma peça de vestuário.
A curadora Judith Clark afirma que a moda atravessa toda a produção de Dalí e destaca o interesse do artista pela transformação, pelo choque e pelo disfarce. Laura Bartolomé, também curadora, ressalta que a influência ocorreu nos dois sentidos: enquanto obras de Dalí foram incorporadas à moda, elementos do vestuário também chegaram às pinturas e aos objetos surrealistas.
A exposição aborda ainda a fascinação do artista por manequins, roupas e pelo corpo humano. Em vez de seguir uma ordem cronológica, o percurso coloca obras de arte e peças de vestuário em diálogo, buscando evidenciar conexões entre o universo visual de Dalí e a criação de moda.
Entre os trabalhos contemporâneos apresentados estão criações de Daniel Roseberry para a Schiaparelli e peças de Maria Grazia Chiuri e Jonathan Anderson para a Dior. Para Bartolomé, a seleção relaciona Dalí a nomes importantes da moda do século XX e à influência que ele continua exercendo sobre diretores criativos e estilistas.
Intitulada “Dalí and Fashion”, a exposição permanece no Palazzo Reale, em Milão, até 31 de janeiro de 2027.







