A Finance Watch identificou estratégias de design em sites, aplicativos e redes sociais que podem influenciar consumidores e pequenos investidores, inclusive menores, a tomar decisões contrárias aos próprios interesses. Segundo a organização, essas práticas podem esconder ou reduzir a visibilidade de informações sobre os riscos dos produtos financeiros.
A análise examinou sites e aplicativos de 24 bancos, neobancos e plataformas de negociação, além de 59 influenciadores financeiros na Alemanha, Espanha, Chéquia e Hungria. O relatório foi publicado na terça-feira.
Entre os padrões apontados estão recomendações de investimento feitas por influenciadores sem conhecimento financeiro comprovado, listas de produtos em alta, valores de aplicação previamente selecionados, contagens regressivas para criar urgência e botões de compra com grande destaque visual. A organização também afirmou que os possíveis retornos costumam aparecer com mais evidência, enquanto os riscos ficam em áreas menos visíveis ou que podem ser recolhidas.
Pedido por novas regras
A Finance Watch pediu à União Europeia uma legislação que limite ou proíba essas práticas. Peter Norwood, responsável sênior da organização, afirmou que o futuro Digital Fairness Act deve fazer com que as escolhas dos consumidores reflitam suas necessidades e sua tolerância ao risco, e não os interesses de lucro das plataformas e dos influenciadores.
A Comissão Europeia deve apresentar o Digital Fairness Act antes do final do ano. A proposta pretende proteger consumidores de práticas online consideradas potencialmente injustas ou manipuladoras.
A organização também defendeu regras mais rígidas para os influenciadores financeiros e a proibição da divulgação de produtos de investimento voltados ao público geral por esses profissionais. No relatório, a Finance Watch afirmou que eles alcançam públicos amplos nas redes sociais sem credenciais ou competência demonstrável.
A União Europeia mantém ainda iniciativas para ampliar a educação financeira, com eventos, encontros com partes interessadas e apoio às autoridades nacionais na organização de ações. Um levantamento Eurobarômetro de 2023 mostrou que 18 % dos cidadãos da UE disseram ter alto nível de conhecimento financeiro. Para a organização, essa deficiência pode deixar parte dos consumidores menos preparada para avaliar produtos, serviços e riscos financeiros na internet.







