A Europa pode deixar de atrair pelo menos 120 bilhões de euros por ano em investimentos porque não consegue ampliar, entre os países, modelos nacionais que já funcionam, aponta um estudo do think tank italiano The European House–Ambrosetti (TEHA), elaborado com a Amazon.
O levantamento analisa casos em áreas como redes ferroviárias, inteligência artificial, energia e regulação. A conclusão é que o bloco não precisa importar modelos de outros países, mas integrar e ampliar iniciativas que já existem dentro da União Europeia (UE).
“A Europa não precisa de procurar respostas fora”, afirmou Diego Begnozzi, consultor sênior da TEHA e autor do estudo. Segundo ele, alguns dos modelos de investimento mais relevantes já funcionam no bloco, mas ainda não foram conectados nem ampliados.
A estimativa considera apenas investimentos diretos adicionais e não inclui benefícios econômicos mais amplos. Um relatório de competitividade de 2024, liderado por Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, calcula que a Europa precisa de entre 750 e 800 bilhões de euros em investimentos adicionais por ano para manter a competitividade na economia global.
Energia, transportes e orçamento
O estudo afirma que empresas europeias pagaram cerca de 2,8 vezes mais pela eletricidade do que empresas dos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2025. Uma integração maior dos sistemas nacionais de energia poderia gerar até 43 bilhões de euros por ano até 2030.
Nos transportes, os serviços ferroviários entre países são 23,4% mais lentos que trajetos domésticos comparáveis. O relatório também aponta obstáculos em inteligência artificial, infraestrutura digital, regras fiscais, educação, mercado de trabalho e Justiça.
Entre as causas citadas está a falta de incentivos para que governos nacionais financiem projetos que beneficiem outros países. O orçamento da UE equivale a cerca de 1% do rendimento nacional bruto do bloco.
Em 2024, as despesas da UE somaram 170,5 bilhões de euros, contra 8.856,8 bilhões gastos pelos Estados-membros. Para os autores, essa diferença limita a capacidade de financiar projetos transfronteiriços.
Medidas em discussão
A UE prepara mudanças nas regras dos mercados de capitais e medidas de apoio à indústria. Também propôs a EU Inc., iniciativa com regras comuns para facilitar a criação e o crescimento de empresas no bloco. A Comissão Europeia pediu um acordo sobre a proposta até o final de 2026.
A Joint European Disruptive Initiative (JEDI Draghi Tracker) avaliou que a Europa está atrasada na execução da agenda apresentada por Draghi, devido à demora na aprovação e na aplicação das leis.







