A União Europeia não enfrenta uma crise iminente de abastecimento energético, mas os preços elevados podem produzir efeitos semelhantes para famílias que não conseguem pagar o aquecimento ou o deslocamento até o trabalho. O alerta foi feito pelo comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, durante uma reunião informal de ministros da área em Dublin, na terça-feira.
Jørgensen afirmou que quase 50 milhões de europeus já não conseguem aquecer adequadamente suas casas durante um inverno normal. Para ele, a situação aumenta o risco social de um novo choque de preços. O comissário também defendeu medidas de curto prazo que não comprometam a transição para uma economia menos dependente de combustíveis fósseis.
Medidas em discussão
O responsável apoiou o pedido do presidente francês, Emmanuel Macron, para flexibilizar temporariamente algumas regras sobre combustíveis. A mudança permitiria que refinarias produzissem mais diesel e outros derivados, ampliando a oferta interna.
Sobre uma nova liberação de reservas emergenciais de petróleo, Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, disse que a medida não é prioridade máxima. Até agora, os países liberaram cerca de 20% das reservas estratégicas e mantêm aproximadamente 80% disponíveis para o caso de uma piora significativa nas interrupções do abastecimento.
A Comissão Europeia também pretende adiar por um ano a aplicação de parte das regras do bloco sobre metano importado. Jørgensen disse que a mudança pode reduzir a pressão sobre os mercados sem alterar as metas climáticas de longo prazo. Ele afirmou ainda que a resposta deve combinar o reforço das energias renováveis, da eletrificação e da eficiência energética com apoio temporário a Estados-membros, cidadãos e empresas.
Os esforços não devem incluir um imposto extraordinário sobre lucros excessivos em toda a UE. Os países poderão criar mecanismos nacionais dentro das regras comunitárias. Jørgensen recomendou que eventuais subsídios a combustíveis fósseis sejam direcionados e temporários, para não prejudicar a transição energética.
Jørgensen e Birol também defenderam a revisão de sistemas fiscais que tributam mais a eletricidade do que o gás. Segundo eles, tornar a eletricidade acessível é necessário para estimular famílias e indústrias a abandonar o gás e o petróleo.
O armazenamento de gás continua sendo uma preocupação. A meta europeia de preenchimento foi reduzida para 80%, ante 90%, mas os países ainda precisam cumpri-la. Um desvio significativo neste inverno pode deixar menos gás disponível para a próxima temporada de enchimento. Birol citou Noruega, Canadá e Nigéria como fornecedores que podem ajudar a Europa diante de interrupções no abastecimento.







