São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Embargo dos EUA ao diesel pressionaria preços e exporia dependência europeia

Europa depende dos Estados Unidos para parte relevante do diesel importado, enquanto alternativas de abastecimento são limitadas.

Embargo dos EUA ao diesel pressionaria preços e exporia dependência europeia

Uma eventual proibição dos Estados Unidos às exportações de diesel poderia elevar os preços na Europa e obrigar governos do continente a adotar novas medidas de emergência. A restrição não necessariamente esvaziaria os postos de combustível de imediato, mas ocorreria em um mercado já pressionado por problemas no abastecimento do Oriente Médio e por limitações às exportações russas.

A União Europeia passou a depender mais do diesel norte-americano depois de perder os fornecimentos russos. Os Estados Unidos responderam por cerca de 180 000 barris por dia (b/d) de um total aproximado de 580 000 b/d importados de fora do bloco neste ano. A participação foi de cerca de 32%, contra 17% em 2025, segundo dados da Kpler.

No noroeste europeu, a exposição é maior: os Estados Unidos forneceram cerca de 200 000 b/d de um total de 350 000 b/d importados de fora da região, ou perto de 57%. No ano passado, a proporção era de 37%. Para Zameer Yusof, analista de energia da Kpler, o efeito imediato seria a alta dos preços, porque compradores europeus teriam de disputar carregamentos substitutos com o Mediterrâneo, a América Latina e a África Ocidental.

França e Reino Unido estão entre os mais expostos

A França aparece como o país mais vulnerável dentro da União Europeia. O presidente Emmanuel Macron classificou a proposta como “catastrófica” e defendeu que a Comissão alivie temporariamente as especificações dos combustíveis para ampliar a produção das refinarias europeias. Ele também pediu a coordenação de uma nova liberação das reservas emergenciais de petróleo.

A França importou cerca de 63 000 b/d de diesel dos Estados Unidos neste ano, o equivalente a cerca de 36% de suas importações. O fechamento das refinarias de Grandpuits e Donges ampliou a dependência do país, segundo a Kpler.

O Reino Unido importou cerca de 50 000 b/d dos Estados Unidos, ou 26% de suas compras de diesel. O encerramento da refinaria de Grangemouth aumentou a necessidade de importações.

As reservas europeias podem absorver parte do impacto inicial, já que o diesel é um dos produtos petrolíferos mais armazenados no continente. Isso, porém, não eliminaria a pressão sobre os preços caso a restrição se prolongasse. Itália importa apenas cerca de 4% de seu diesel dos Estados Unidos, enquanto a Espanha recebe cerca de 19%. Portugal tem exposição reduzida. As refinarias espanholas de Cartagena, Bilbao e Huelva também oferecem uma fonte de abastecimento interno.

Alternativas são limitadas

Depois do consumo das reservas, a Europa teria poucas opções para substituir os barris norte-americanos. A Índia é considerada pela Kpler a única alternativa crível, mas suas exportações caíram de cerca de 582 000 b/d no ano passado para 352 000 b/d neste ano. Os embarques indianos para a Europa recuaram de cerca de 163 000 b/d para aproximadamente 50 000 b/d.

China e Coreia do Sul também não conseguiriam preencher a lacuna. Os envios neste ano foram de cerca de 1 000 b/d da China e 2 000 b/d da Coreia do Sul.

A Comissão informou que discute o tema com os países da União Europeia e com o setor. A Agência Internacional de Energia não havia respondido, até o momento da publicação, se avaliava uma nova liberação das reservas estratégicas de petróleo.

Nos Estados Unidos, os preços do diesel giram em torno de 7 dólares por galão. O secretário de Energia, Chris Wright, consultou refinarias sobre uma restrição voluntária das exportações como alternativa a uma proibição geral de 90 dias.

Um documento da Energy Policy Research Foundation afirma que a medida poderia prejudicar os próprios Estados Unidos. Como as refinarias já operam perto da capacidade máxima, a restrição poderia elevar os estoques, reduzir as margens e levar empresas a diminuir a atividade. Como gasolina e diesel são produzidos conjuntamente, o documento prevê menor oferta dos dois combustíveis e também de combustível de aviação, com preços mais altos nas bombas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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