São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Governo francês tenta conter déficit antes de votação do orçamento de 2027

Plano prevê cortes de 54 bilhões de euros, mas enfrenta oposição política, greve e um Parlamento sem maioria clara.

Governo francês tenta conter déficit antes de votação do orçamento de 2027

O governo da França prepara um pacote de cortes para tentar conter o déficit público, enquanto enfrenta resistência de partidos de esquerda, sindicatos e um Parlamento fragmentado. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu deve apresentar na quinta-feira o projeto de orçamento para 2027.

A proposta prevê uma redução de cerca de 54 bilhões de euros. Sem as medidas, Lecornu afirmou que o déficit poderia se aproximar de 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. A meta do governo é limitar o indicador a 5% do PIB.

O plano inclui a contenção das despesas com pensões, o congelamento dos salários do funcionalismo público e mudanças nas licenças médicas financiadas pelo Estado. O governo também avalia limitar a indexação das pensões e reduzir a dedução fiscal concedida a aposentados. A diminuição do teto dessa dedução, atualmente de 10%, deverá gerar 1,4 bilhão de euros para os cofres públicos.

Pressão sobre a dívida

Além dos cortes, o governo calcula que precisará encontrar mais 10 bilhões de euros para financiar o custo da dívida francesa, em razão do contexto geopolítico e da elevação das taxas de juros.

O déficit orçamentário deve chegar a 5,4% do PIB neste ano, enquanto a dívida pública está em 119% do PIB. Na quinta-feira, os juros dos títulos franceses de 10 anos subiram para 4,94%, maior nível desde 2002.

François Facchini, professor de economia da Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, disse que a relação entre dívida e PIB deve continuar aumentando e ultrapassar 120% em 2027. Ele também afirmou que o cálculo habitual não inclui compromissos futuros, como as aposentadorias do funcionalismo público.

Para Jérôme Mathis, professor de economia da Universidade Paris-Dauphine, a credibilidade do plano dependerá da sustentabilidade dos 54 bilhões de euros em economias, da melhora do déficit antes dos juros e do realismo das projeções econômicas.

Tramitação e reação

A entrega formal do projeto à Assembleia Nacional tem como prazo 6 de outubro. Como o governo não possui maioria clara, a aprovação deverá depender de negociações com a Assembleia Nacional e o Senado. Jérémie Peloso, estrategista-chefe para a Europa na BCA Research, afirmou que as discussões podem avançar até a primeira metade de 2027.

Partidos de esquerda e sindicatos acusam o governo de adotar medidas de austeridade. Arthur Delaporte, porta-voz do Partido Socialista, classificou o orçamento como uma “poção amarga de austeridade”. Sindicatos convocaram uma greve na terça-feira, principalmente contra o congelamento dos salários do setor público.

A França equilibrou o orçamento pela última vez em 1973. Desde 2008, a dívida acumulada permanece acima de 90% do PIB anual.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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