Combatentes houthis assumiram o controle da ilha de Perim, também chamada Mayyun, depois da retirada das forças governamentais, e passaram a controlar o estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho. A informação foi confirmada por um responsável governamental local e por testemunhas.
Barcos com combatentes armados chegaram à ilha depois que as forças governamentais deixaram a área. Perim fica no trecho mais estreito do estreito e divide a passagem em duas rotas de navegação. Uma testemunha relatou que homens armados se posicionaram ao longo da costa e circulavam em veículos militares.
Na quinta-feira, os houthis haviam tomado a cidade portuária de Mokha e a ilha de Zuqar, no sul do Mar Vermelho. A ofensiva incluiu ataques com foguetes e uma operação terrestre realizada com barcos que transportavam combatentes. Antes dessa ofensiva, o grupo controlava cerca de um terço do território do Iêmen.
Os houthis, formalmente conhecidos como Ansar Allah, são apoiados pelo Irã. O grupo tomou Sanaá e ocupou o palácio presidencial e posições militares importantes no final de 2014, levando o governo iemenita reconhecido internacionalmente ao exílio.
O estreito de Bab el-Mandeb liga a Ásia à Europa por meio do Mar Vermelho e do canal de Suez. Junto com o estreito de Ormuz, ele responde por mais de um quarto do comércio marítimo de petróleo bruto e derivados. Quase um terço do tráfego mundial de contêineres passa pelo Mar Vermelho.
Escalada regional
Na semana passada, os houthis lançaram uma ofensiva de grande escala contra forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita e realizaram ataques em território saudita. Os confrontos deixaram dezenas de feridos e levaram Riade a iniciar ataques diários contra áreas do Iêmen sob controle do grupo.
Os ataques contra instalações petrolíferas e navios-tanque sauditas contribuíram para a alta dos preços do petróleo, que ultrapassaram 100 dólares por barril na quinta-feira. Também há relatos de que os houthis consultaram Teerã sobre a cobrança de uma taxa de passagem segura no estreito durante o verão.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã pediu, na sexta-feira, o fim do bloqueio saudita ao Iêmen e a retomada imediata das negociações. Em comunicado, afirmou que a soberania iemenita deve ser respeitada e que os problemas do país não podem ser resolvidos por meio de bloqueios ou alianças militares.
O presidente do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, Rashad al-Alimi, pediu na quinta-feira que países árabes e outras nações ajudem a proteger as costas do país. “Proteger as costas do Iémen e restaurar o controlo do Estado sobre o seu território, portos e águas é um interesse partilhado”, afirmou durante encontro com o embaixador egípcio.
Desde a semana passada, os combates no Iêmen causaram mais de 500 mortos, na maioria combatentes, segundo um balanço elaborado a partir de várias fontes.







