São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mundo

Houthis ampliam domínio no Iêmen e controlam regiões mais populosas

O grupo, ligado à comunidade zaidita, tomou Sanaa em 2014 e consolidou seu poder com apoio iraniano e alianças políticas.

Houthis ampliam domínio no Iêmen e controlam regiões mais populosas
Foto: Al-Masirah via AP. Al-Masirah TV via AP

O movimento houthi controla as regiões mais populosas do Iêmen e atua como governo de fato em parte do país. Embora domine uma parcela minoritária do território, administra áreas onde vivem cerca de dois terços da população iemenita. O grupo é reconhecido internacionalmente apenas pelo Irã.

Os houthis surgiram nos anos 1990 no norte do Iêmen, em torno de Saada, cidade associada historicamente à comunidade zaidita. Ligada ao islamismo xiita, essa minoria governou o país até 1962, quando uma revolução derrubou o imamato e estabeleceu uma república.

Segundo Laurent Bonnefoy, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França e do CERI-Sciences Po, o movimento nasceu de uma tentativa de recuperar a identidade zaidita, que teria sido marginalizada pela República. O pesquisador Abdulghani Al-Iryani, do Centro de Estudos Estratégicos de Sanaa, apresenta outra interpretação: os houthis teriam se afastado da autoridade estatal depois da guerra civil e, posteriormente, difundido a ideia de que foram marginalizados pelo governo central.

Da insurgência à tomada de Sanaa

O confronto aberto com o governo começou em 2004. Naquele ano, o então presidente Ali Abdullah Saleh visitou Saada e participou da oração de sexta-feira. A cerimônia foi interrompida por slogans contra sua aproximação com os Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001. A prisão de manifestantes, seguida da libertação forçada por simpatizantes houthis, deu início às chamadas Guerras de Saada.

Durante seis anos, os rebeldes, liderados por Hussein al-Houthi, enfrentaram as forças governamentais. A família Al-Houthi, que estruturou o movimento, afirma descender do profeta Maomé e reivindica um direito divino ao poder. Para Al-Iryani, os houthis entendem que apenas os descendentes de Fátima, filha de Maomé, e de Ali, primo do profeta, teriam legitimidade para governar.

A Primavera Árabe chegou ao Iêmen em 2011 e provocou manifestações contra o regime autoritário. Saleh deixou a Presidência no ano seguinte. Em 2014, já fora do cargo, ele se aliou aos houthis contra o partido islamista sunita Al Islah, que predominava no movimento de contestação.

A aliança forneceu aos rebeldes capacidade de mobilização militar, organização e acesso a recursos estatais, segundo Bonnefoy. Fortalecido, o grupo tomou a capital, Sanaa, em 21 de setembro de 2014.

A relação com Saleh terminou em conflito. O ex-presidente foi morto em 4 de dezembro daquele ano, 2017, depois do surgimento de tensões entre os antigos aliados. O governo reconhecido internacionalmente perdeu território apesar do apoio militar da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Poder, repressão e retomada dos combates

Especialistas citados no texto descrevem o domínio houthi como baseado na força. Al-Iryani afirma que o grupo matou milhares de pessoas e prendeu dezenas de milhares. Bonnefoy também relata a criação de sistemas de vigilância, além de violações de direitos humanos, perseguição a minorias religiosas e restrições que afetaram as mulheres. Funcionários de organizações humanitárias e internacionais foram acusados de espionagem e presos pelo movimento.

Os combates diminuíram a partir de 2019. Uma mediação das Nações Unidas levou a um cessar-fogo em 2023, mas as negociações não produziram um acordo de paz. Para Bonnefoy, a Arábia Saudita, consciente do fracasso de sua atuação desde 2015, buscou uma saída do conflito, enquanto os houthis aumentaram suas exigências entre 2022 e hoje.

A retomada das hostilidades ocorreu depois de um episódio envolvendo um avião iraniano. Em julho passado, a aeronave chegou a Sanaa para buscar uma delegação houthi que participaria do funeral do líder supremo Ali Khamenei. O governo iemenita e a Arábia Saudita consideraram o pouso uma provocação; dias depois, o aeroporto foi bombardeado antes do retorno do voo.

Em setembro, os houthis assumiram o controle do estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do mar Vermelho. O movimento, que começou como uma força rebelde regional, ampliou seus efetivos e passou a ter maior peso militar.

O grupo recebe apoio de Teerã, incluindo drones e mísseis baseados em tecnologia iraniana. Também se beneficiou do sentimento de agressão externa provocado pelos bombardeios sauditas e da crise humanitária no país, que tornou o ingresso nas forças houthis uma das poucas formas de obter renda para muitos iemenitas.

A fragmentação dos adversários contribuiu para os avanços do movimento, segundo Bonnefoy. As forças anti-houthi estão divididas entre grupos ligados à Irmandade Muçulmana e movimentos separatistas do sul. Além disso, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos apoiam o governo, mas perseguem objetivos diferentes: os sauditas priorizam o combate aos houthis, enquanto os Emirados buscam preservar uma presença estratégica no golfo de Áden. Para o pesquisador, essa divergência ajudou a consolidar os houthis como ator central do conflito iemenita.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5