O Irã afirmou que poderá usar novas armas e alcançar alvos ainda não atingidos caso os Estados Unidos iniciem outra ofensiva contra o país. A declaração foi feita nesta segunda-feira (21) por Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária. Ele disse que Teerã está preparado para um conflito prolongado e que a área dos combates pode ser ampliada diante de novos ataques.
O comando central das Forças Armadas iranianas declarou no domingo (20) ter recebido informações sobre uma possível retomada das ações militares americanas, com apoio de países do Oriente Médio. Nesse cenário, o Irã promete responder contra bases e interesses dos Estados Unidos na região. Os países que participarem da ofensiva também seriam considerados integrantes do conflito, segundo o comando militar.
A guerra ainda não tem previsão de encerramento e provocou alta nos preços do petróleo. O encarecimento da energia tem pressionado a inflação e gerado protestos contra o custo de vida em diferentes partes do mundo.
Apesar do confronto, os contatos diplomáticos entre Teerã e Washington continuam possíveis. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que aceita se reunir com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. O líder iraniano é esperado em Nova York nesta semana para a Assembleia Geral da ONU e deve deixar o Irã na terça-feira.
Os Estados Unidos haviam autorizado, na quinta-feira, a participação da delegação iraniana no encontro da ONU. Nesta segunda-feira, porém, integrantes da equipe de Pezeshkian tiveram seus pedidos de visto negados. Entre os atingidos estão membros da equipe de comunicação do presidente, segundo uma declaração da agência estatal Irna.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixou o país no domingo e fará uma parada no Catar antes de viajar para Nova York. O país árabe atua como mediador entre Teerã e Washington, e a viagem prevê consultas sobre os ataques recentes na região.
O Irã também apresentou novamente suas exigências para permitir a reabertura do estreito de Ormuz, por meio da mediação catariana. Mohsen Rezaï, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, afirmou no sábado que as condições são o encerramento da guerra em todas as frentes, a liberação de ativos iranianos congelados e o fim do bloqueio naval americano.
O tráfego pelo estreito, rota por onde circulava antes da guerra cerca de um quinto dos hidrocarbonetos comercializados no mundo, está parcialmente suspenso desde o início do conflito. A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Em reação, os Estados Unidos mantêm o bloqueio aos portos iranianos.
Um memorando de entendimento firmado em junho para encerrar o conflito fracassou em julho. Desde então, as negociações não tiveram avanços concretos. O confronto também chegou à frente iemenita, onde os combates entre os houthis alinhados ao Irã e a Arábia Saudita se intensificaram nas últimas semanas.







