A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) condenou o episódio envolvendo um drone lançado em direção a Meca, enquanto os houthis negaram que a cidade sagrada tenha sido alvo da operação. A entidade reúne 57 Estados‑membros e afirmou que os ataques atingem a santidade dos locais religiosos e os sentimentos dos muçulmanos.
A defesa aérea da Arábia Saudita informou que destruiu, na terça-feira (15), um drone atribuído aos houthis antes que ele entrasse no espaço aéreo restrito de Meca. A coalizão militar liderada por Riade, que apoia o governo do Iêmen, declarou que a proteção das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes é uma linha vermelha.
O grupo iemenita, apoiado pelo Irã, rejeitou a acusação. Hazm al‑Assad chamou a denúncia de “uma mentira esfarrapada” em uma publicação na rede social X. O porta-voz militar Yahya Saree disse que as operações têm como alvos instalações petrolíferas e bases militares, afastadas dos locais sagrados.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, condenou o ataque contra Meca. Abdulah el‑Alimi, político iemenita alinhado a Riade, afirmou que o caso deveria revelar as intenções dos houthis. A imprensa saudita também criticou o episódio e o classificou como uma agressão que ultrapassou limites religiosos, morais e humanos.
Conflito regional
A disputa ocorre em meio à ofensiva dos houthis contra a Arábia Saudita, iniciada há quase uma semana. O grupo anunciou nesta quarta-feira (16) que havia derrubado um avião de combate saudita e acusou Riade de realizar 450 ataques aéreos contra o Iêmen nesta semana.
Os houthis também tomaram, na semana passada, o controle da costa iemenita próxima ao Mar Vermelho, ampliando sua presença junto ao Estreito de Bab el-Mandeb. A passagem conecta a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez.
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, pediram na terça-feira, no Cairo, garantias para a liberdade e a segurança da navegação no estreito. O Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmou que o fechamento da via teria consequências catastróficas.
A intensificação dos combates entre os houthis e as forças pró-governo deixou ao menos 100 mil pessoas deslocadas nos últimos dias, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). O petróleo Brent era negociado nesta quarta-feira a US$ 108,5 por barril, quase 80% acima do nível anterior ao início da guerra em fevereiro.







