São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mundo

Diferença entre países expõe o que reduz mortes infantis evitáveis

Queda da mortalidade no Brasil contrasta com taxas mais altas em países onde saneamento, vacinação e atendimento médico ainda são limitados.

Diferença entre países expõe o que reduz mortes infantis evitáveis
Foto: Gerd Harder/Getty Images

Um bebê nascido na Nigéria tem 8,5 vezes mais chances de morrer antes dos cinco anos do que um nascido no Brasil. Entre os países com as menores taxas de mortalidade infantil estão Japão, Finlândia e Suécia; ainda assim, qualquer bebê brasileiro tem 7 vezes mais chances de morrer nessa faixa etária do que uma criança nascida nesses países.

A maior parte das mortes evitáveis está concentrada na África Subsaariana e no sul da Ásia. Nesses locais, as mudanças sociais associadas à redução da mortalidade infantil ainda não alcançaram a mesma dimensão observada no Brasil e em outros países.

O que mudou no Brasil

Em 2023, o Brasil registrou cerca de 14 mortes de crianças menores de cinco anos para cada mil nascidos vivos. Em 1980, eram 96 a cada mil. Mesmo com a queda, 39.800 crianças morrem anualmente antes de completar cinco anos.

A redução está relacionada a melhorias no saneamento básico, no acesso à nutrição, na vacinação e no acompanhamento médico. Um exemplo é a mortalidade por diarreia: a doença respondia por 34% das mortes de crianças menores de cinco anos em 1980 e, hoje, representa 1,5%. Naquele ano, eram 270 mortes por dia; em 2023, foram 590 no ano inteiro.

O acesso à água limpa é apontado como uma medida fundamental para evitar esse tipo de morte. Ainda assim, 38,6% das moradias brasileiras não têm esgoto coletado e tratado, e o abastecimento de água potável canalizada não chega a 16,4% dos brasileiros.

Deborah Malta, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora do relatório Global Burden of Disease no Brasil, afirma que os dados sobre mortes infantis ajudam a avaliar indicadores sociais, como acesso a atendimento médico, saneamento e vacinas. Para ela, a implantação do SUS, criado em 1988, reforçou a transição epidemiológica brasileira.

“As políticas de proteção social têm tudo a ver com a sobrevivência dessas crianças”, diz Deborah Malta. Ela cita o Bolsa Família, o SUS e o PNI, o Programa Nacional de Vacinação, como políticas importantes para a sobrevivência infantil.

Doenças e condições associadas às mortes

No mundo, a taxa de mortalidade de menores de cinco anos é de 37 a cada mil nascidos vivos, o equivalente a 4,67 milhões de mortes por ano. Em 2023, a pneumonia matou 610 mil crianças, número superior às 595 mil mortes de adultos em homicídios, conflitos armados e guerras.

Pneumonia, malária, doenças diarreicas e sarampo estão entre as doenças infecciosas que, somadas às complicações no parto, respondem por mais de 40% das mortes infantis no mundo.

No Brasil, a maioria das mortes de bebês e crianças está associada a fatores como asfixia e traumas durante o parto, partos prematuros, doenças cardiovasculares e intestinais. Distúrbios congênitos aparecem proporcionalmente com mais frequência no Brasil e nos países com menores taxas porque as mortes evitáveis diminuíram. Deborah Malta ressalta que o acompanhamento médico ainda poderia mudar alguns desfechos.

As vacinas essenciais são oferecidas gratuitamente pelo SUS, mas essa política não é universal. A queda brasileira ocorreu após avanços em políticas públicas de saúde e proteção social, enquanto vários países ainda não tiveram mudanças semelhantes.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5