AMÃ — A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira (9) ter atingido uma base militar americana na Jordânia e atacado embarcações no Golfo. A declaração veio um dia depois de os Estados Unidos anunciarem a destruição de cinco petroleiros ligados ao Irã, ampliando a tensão em torno do abastecimento de energia no Oriente Médio.
De acordo com a agência oficial iraniana Irna, mísseis atingiram a base de Al-Azraq, localizada a cerca de 100 quilômetros a leste de Amã. O Exército jordaniano informou que 20 mísseis foram lançados contra o país: 18 acabaram interceptados e dois caíram em áreas desérticas. A Guarda Revolucionária disse que instalações de manutenção, áreas de posicionamento e abrigos de caças foram danificados.
No Golfo, o Irã declarou ter atacado dois navios americanos, oito petroleiros e outras dez embarcações que tentavam passar pelo Estreito de Ormuz. Também ameaçou atingir navios nos portos do Kuwait e do Bahrein, aliados de Washington, e pediu que as tripulações deixassem as embarcações. O Comando Central americano afirmou que os cinco petroleiros destruídos haviam recebido ordem para serem abandonados e que a ação respondeu a tentativas iranianas de atacar um navio de guerra com mísseis balísticos.
A passagem entre o Irã e Omã é uma rota importante para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito. Desde o início da guerra, em fevereiro, o tráfego está praticamente paralisado, conforme informações divulgadas pelas partes. Teerã afirma controlar o estreito e exige autorização e pagamento de taxas para permitir a circulação.
Efeito nos mercados
O petróleo reagiu ao risco de uma interrupção prolongada no fornecimento. O Brent avançava 1,59% na manhã desta quarta-feira, para US$ 99,48 o barril, enquanto o WTI subia 1,37%, para US$ 94,30. Na Europa, o contrato TTF holandês de gás natural aumentava 2,75%, para 77,92 euros por megawatt-hora, depois de alcançar o maior nível desde janeiro de 2023. Os estoques europeus estavam em 67%.
As bolsas europeias também recuaram no começo dos negócios: Paris caiu 0,61%, Frankfurt, 0,50%, Londres, 0,22%, e Milão, 0,39%. Na Ásia, o Kospi encerrou o pregão com alta de 1,40%, e o Nikkei registrou queda de 0,19%.
Conflito no Iêmen
No Iêmen, os houthis, apoiados pelo Irã, disseram que a aviação saudita fez 32 ataques em diferentes regiões. A Arábia Saudita não comentou de imediato. O país havia informado que ataques houthis interromperam temporariamente atividades em instalações petrolíferas e deixaram 73 feridos na terça-feira.
Um balanço baseado em fontes dos dois lados apontou mais de 500 mortos nos combates recentes, principalmente combatentes. Os houthis passaram a atacar instalações petrolíferas e petroleiros sauditas desde julho, quando fracassou a trégua firmada em 2022. O grupo também anunciou um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, pressionando exportações já afetadas pelo fechamento de Ormuz.
A Guarda Revolucionária afirmou ainda ter capturado um drone submarino americano. Washington disse que um equipamento de vigilância havia apresentado falha e era um modelo antigo, sem informações sensíveis. O Irã também declarou ter derrubado um drone aéreo sobre o estreito.
Sanções e negociações
O Departamento do Tesouro americano impôs sanções a 36 alvos ligados ao setor de aviação iraniano. Segundo o governo dos Estados Unidos, as empresas são usadas para transportar armas, pessoal e cargas ilícitas. Mahan Air e Iran Air já estavam sob sanções.
Apesar da escalada, a diplomacia iraniana afirmou ter registrado “progressos significativos” nas conversas com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz. As negociações tratam da criação de um corredor permanente e do futuro modelo de gestão da passagem. Teerã, porém, declarou que não pretende voltar ao sistema de livre navegação anterior à guerra.







