São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Itália estima 3 500 lobos e debate formas de reduzir conflitos

Dados do Ispra indicam crescimento da população, enquanto especialistas defendem prevenção e convivência entre lobos, pessoas e criadores.

Itália estima 3 500 lobos e debate formas de reduzir conflitos

A população de lobos no país é estimada em 3 500 animais, segundo o acompanhamento nacional mais recente do Instituto Superior para a Proteção e a Investigação Ambiental (Ispra), realizado entre 2018 e 2022. O número representa um aumento de cerca de 150 indivíduos, principalmente na região alpina.

O crescimento da população e os avistamentos próximos de áreas urbanas reacenderam o debate sobre a presença dos lobos. No verão de 2026, episódios registrados na Apúlia, na Emília-Romanha, na Úmbria e no Lácio foram acompanhados por manifestações de alarme.

Risco para as pessoas

De acordo com Piero Genovesi, responsável pelo Serviço de Coordenação da Fauna Selvagem do Ispra, ataques de lobos contra pessoas continuam sendo raros, embora tenham aumentado nos últimos anos. Dados do instituto registram 19 episódios entre 2017 e 2024.

Os casos envolveram apenas 7 animais. Uma única fêmea esteve associada a 11 deles. Especialistas classificam esses exemplares como animais que desenvolveram comportamentos fora do padrão da espécie.

Marco Antonelli, zoólogo e responsável pelos grandes carnívoros do WWF Itália, afirma que o lobo normalmente é furtivo, tem hábitos noturnos e evita encontros com seres humanos. Avistamentos próximos a residências não representam, por si só, risco. A preocupação aumenta quando há presença estável perto de pessoas, predação de animais domésticos ou reações agressivas.

O Ispra criou um protocolo para classificar o comportamento de lobos urbanos e considerados confiantes. Segundo Antonelli, a habituação provocada por algumas ações humanas pode contribuir para mudanças de comportamento, embora também existam diferenças individuais entre os animais.

Mudança na proteção

Em março de 2026, a Itália incorporou à legislação uma diretiva da União Europeia de 2025. Com a mudança, o lobo passou da categoria de espécie altamente protegida para espécie protegida. A legislação anterior, de 1992, deverá ser adaptada até janeiro de 2027.

A alteração dividiu os especialistas. Luigi Boitani, professor emérito da Universidade La Sapienza, em Roma, considera que a mudança foi uma decisão política e afirma que já era possível autorizar abates em situações específicas. Na França, segundo os dados apresentados por ele, eram abatidos 250 lobos por ano.

Para Genovesi, a principal mudança no sistema italiano é administrativa. Antes, a autorização dependia do Ministério do Ambiente e de um parecer técnico do Ispra. Agora, as regiões podem decidir de forma autônoma, também com base em avaliação técnica.

Prevenção para criadores

Os criadores de gado estão entre os mais afetados pelos conflitos com lobos. Antonelli estima que, nos últimos 10 anos, os animais tenham sido responsáveis pela predação de 0,6% do gado existente na Europa. Na Itália, o índice seria semelhante.

Entre as medidas de proteção estão os cães de guarda de rebanhos, como o pastor maremmano-abruzês, além de cercas elétricas enterradas e abrigos noturnos elevados. Os abates podem ser usados contra animais com comportamentos anômalos, mas os especialistas defendem que a prevenção é mais eficaz.

A população também pode reduzir os atrativos para os lobos. O manejo adequado dos resíduos, a vigilância dos animais de companhia em áreas com muitos avistamentos e a retirada de alimentos deixados nas ruas estão entre as recomendações citadas pelos especialistas.

Para Boitani, o debate se tornou mais polarizado, com o crescimento tanto do grupo que defende os lobos quanto do que deseja abatê-los. Ele sustenta que a convivência exige compromisso e que o conhecimento sobre a espécie precisa avançar para orientar as decisões de longo prazo.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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